Tipos de Câncer

Laringe
Laringe

Publicado em: 23/07/2020 - 16:30

A laringe (onde estão localizadas as cordas vocais) é o órgão da voz e fica entre a parte posterior da língua e a traqueia. Além da fala, ela é importante para a proteção dos brônquios e pulmões de partículas de alimentos durante a deglutição. A laringe é dividida em:

  • Supraglote, que fica acima das cordas vocais e contém a epiglote, responsável por fechar a laringe durante a deglutição, encaminhando o alimento para o esôfago e impedindo a passagem de partículas para os pulmões.
  • Glote, onde estão as cordas vocais;
  • Subglote, localizada abaixo das cordas vocais.

Por isso, um tumor da laringe pode afetar a voz, a deglutição ou a respiração.  

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados 6.470 novos casos de câncer de laringe em homens e 1.180 em mulheres para cada ano do triênio 2020-2022. O risco estimado para a população brasileira é de 6,20 casos novos a cada 100 mil homens e de 1,06 casos novos a cada 100 mil mulheres.

Praticamente todos os cânceres de laringe originam-se nas células escamosas, que revestem o interior do órgão e são chamados de carcinomas de células escamosas ou espinocelulares.

Diversas doenças podem estar relacionadas a células anormais, mas a maioria não é cancerosa, como é o caso de uma alteração chamada displasia. Na maioria das vezes, principalmente quando leve, apresenta baixo risco de transformar-se em câncer e pode até mesmo desaparecer sem tratamento se o agente causador (o fumo, por exemplo) for eliminado.  Já as displasias graves têm alto risco de transformação.

Os tumores da laringe não costumam causar sintomas no início, a não ser quando ocorrem nas cordas vocais. Se for diagnosticado e tratado em fase inicial, o câncer de laringe pode chegar a 90% de chance de cura.

 

Conheça os fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver câncer de laringe.

Fumo: é o principal fator de risco para o câncer de laringe.

Álcool: sozinho, o consumo de bebidas alcoólicas já é um fator de risco importante. Combinado com o fumo, o risco se multiplica. Essa combinação aumenta bastante o risco para vários tipos de câncer.

Idade: o risco aumenta com a idade; a maioria dos pacientes tem mais de 55 anos.

Sexo: homens e mulheres podem apresentar a doença, mas a maioria dos pacientes são homens.

Sexo oral e HPV: o papilomavírus humano (HPV), que pode ser transmitido por meio de relações sexuais desprotegidas, poucas vezes é uma das causas da doença. Mas, é importante utilizar preservativo, inclusive durante a prática de sexo oral, pois o HPV está muito associado a outro tumor da região, o da orofaringe.

Refluxo gastroesofágico: quando o suco gástrico sobe para o esôfago e alcança a laringe, provocando uma inflamação crônica.


Os sintomas mais comuns são

  • Irritação ou dor de garganta que piora com a deglutição e não passa em duas semanas;
  • Rouquidão e mudança de voz, que persistem por mais de 15 dias;
  • Aparecimento de nódulo no pescoço;
  • Pigarro ou tosse constante;
  • Dor ou dificuldade para engolir;
  • Dificuldade para respirar;
  • Perda de peso inexplicável.

Rouquidão e mudança de voz persistentes são os principais sinais do câncer de laringe quando atingem as cordas vocais, o que facilita a detecção precoce. Porém, quando os tumores na laringe não começam nas cordas vocais, a rouquidão e a mudança de voz aparecem em estádios mais avançados. Por isso, algumas vezes, eles só são diagnosticados quando já se disseminaram para os gânglios linfáticos, quando o paciente nota um caroço no pescoço.

É importante destacar que estes sintomas não são específicos de tumores na laringe, uma vez que podem ser causados por uma série de outras doenças.

Quando há suspeita de câncer de laringe, o médico pede uma laringoscopia. Na nasofibrolaringoscopia, o exame é feito por meio de um tubo flexível, com fibra óptica, que é introduzido pelo nariz ou pela boca e permite não apenas visualizar a laringe, mas também obter amostra de tecido para biópsia. Na laringoscopia indireta, o médico usa um espelho que permite ver a laringe.

Os exames por imagem podem incluir tomografia, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), ressonância magnética e raios-X de tórax.

Cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia podem ser usadas, isoladamente ou combinadas, dependendo da extensão do tumor e do estado geral de saúde do paciente.

A cirurgia endoscópica pode ser usada para remover pequenos tumores a laser. Já a cordectomia remove parte ou todas as cordas vocais e pode ser usada para tratar tumores bem pequenos ou superficiais no local. A remoção total ou de parte das cordas vocais pode manter algum grau de rouquidão.

A laringectomia é a remoção total ou parcial da laringe, esta última reservada aos cânceres pequenos. Existem vários tipos de laringectomia e, dependendo da localização do tumor, o paciente pode perder a voz, ficar rouco ou preservar a fala.

Muitas vezes, o câncer atinge os gânglios linfáticos do pescoço e, dependendo da localização e do estádio da doença, pode ser preciso remover esses nódulos por meio de uma cirurgia chamada esvaziamento cervical. A extensão da cirurgia vai depender do tamanho do tumor primário e do quanto se disseminou para os gânglios linfáticos.

Por causa da localização do câncer, uma traqueostomia pode ser necessária para que o paciente respire com maior conforto. Se um grande inchaço for esperado após a extração do tumor, o médico pode optar por uma traqueostomia temporária, para que o paciente respire melhor até que o inchaço desapareça.

Como esse tipo de câncer muitas vezes dificulta a alimentação, pode ser preciso colocar um tubo através da pele e dos músculos do abdômen para levar água, alimentos e medicamentos diretamente ao estômago. Se o problema de deglutição for temporário, o médico pode optar pela colocação de uma sonda nasogástrica, que entra pelo nariz, passa pelo esôfago até atingir o estômago.

A radioterapia também integra o tratamento do câncer de laringe, podendo, inclusive, ser o primeiro tratamento em tumores de estádio inicial. O mais comum é que ela seja utilizada como adjuvante no pós-cirúrgico, destruindo células cancerosas que podem ter permanecido no local. Ela também pode ser usada em pacientes muito debilitados para serem submetidos a cirurgia e nas recidivas (quanto o câncer volta depois do tratamento).

A radioterapia ainda entra na lista de procedimentos usados nos chamados cuidados paliativos, reduzindo dores, sangramentos, dificuldade para engolir e problemas que ocorrem quando o câncer se espalha pelos ossos. Este tratamento feito na região da cabeça e do pescoço pode afetar dentes e gengivas e, por isso, recomenda-se que o paciente consulte antes um dentista especializado para acompanhar seu tratamento.

A quimioterapia, sozinha ou com a radioterapia, também é recomendada para alguns casos. Para um grupo selecionado de pacientes, a associação de quimioterapia e radioterapia pode evitar a realização de uma laringectomia total.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso, é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase, além de números que vão de 0 (sem tumor, sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.

Pacientes que se submetem a laringectomia ou faringectomia podem alterar ou perder a capacidade de falar normalmente. Mesmo cirurgias menos extensas podem comprometer a fala. Por isso, o recomendado é contar com um profissional de fonoaudiologia para a reabilitação.

Contamos com um serviço de fonoaudiologia formado por uma equipe especializada, que atua para identificar, prevenir e avaliar esses problemas. A equipe também atua de forma a reabilitar o paciente para volte a se alimentar pela boca (e não mais por sonda), volte a falar bem e ser bem compreendido, possibilitando sua reintegração ao ambiente social e profissional.