Pacientes com linfonodo positivo e adenocarcinoma têm mais risco de recidiva em outros órgãos

Publicado em: 20/05/2019 - 17:05:21
Tratamento
Pesquisa
Quimioterapia
Tumores Ginecológicos

Estudo conclui, contudo, que um ciclo de quimioterapia adicional e reforçado poderia minimizar a reincidência de tumores em portadoras de câncer de colo uterino 

Pacientes com câncer de colo de útero com linfonodo comprometido e adenocarcinoma, por exemplo, têm mais chance de recidiva à distância, ou seja, o risco é maior de a doença voltar em outros órgãos como o pulmão ou o fígado. A chamada quimioterapia de consolidação, porém, poderia ser um trunfo para reduzir a reincidência desses tumores. É o que constata estudo conduzido pelo corpo clínico do A.C.Camargo Cancer Center.

Trata-se de um estudo retrospectivo: foram avaliados os prontuários de 127 pacientes tratadas na Instituição entre 2005 e 2014, a fim de elucidar os fatores presentes no momento do diagnóstico da mulher, instante determinante. "Fizemos uma avaliação mais específica identificando os fatores de risco para saber se uma paciente apresenta mais chance de ser acometida pela recidiva pélvica, que é quando o tumor volta na mesma região do colo uterino, ou mesmo se ela é suscetível ao retorno da doença em outros órgãos mais distantes do útero", explica o doutor Alexandre Balieiro da Costa, do Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo, um dos autores do estudo Risk Factors for Pelvic and Distant Recurrence in Locally Advanced Cervical Cancer (Fatores de Risco para Recidiva Pélvica e Recorrência Distante no Câncer de Colo de Útero Localmente Avançado).

Dessas 127 pacientes, cujo tempo médio de acompanhamento foi de 48,7 meses, 22 foram tratadas com a quimioterapia de consolidação – elas garantiram uma sobrevida 63% mais longa em comparação às pacientes que não foram submetidas a esse tratamento. Outros resultados consideráveis observados foram que 76,6% dessas 22 pacientes tiveram uma sobrevida livre da recidiva pélvica, bem como 54% ficaram imunes ao retorno da doença em outros órgãos. 

O corte de 22 pessoas pode parecer pequeno, mas evidenciou um importante controle de reincidência. "Com essa observação, identificamos que o tratamento para ajudar a prevenir a recidiva na pelve se mostrou diferente dos que combatem a volta de tumores em outros órgãos", afirma Alexandre Balieiro. A diferença: associar a quimioterapia de consolidação. 

Como funciona

As pacientes com câncer de colo uterino são tratadas com radioterapia por 35 a 40 dias – de segunda a sexta-feira, com intervalos aos sábados e domingos – e com quimioterapia uma vez por semana durante esse período, a chamada quimioterapia concomitante. Essa é a fase mais importante, é o processo que cura a doença. 

"Essa fase funciona com o mesmo objetivo do tratamento cirúrgico", acrescenta Balieiro. Quatro semanas depois que essa fase é concluída, inicia-se a quimioterapia de consolidação, que é a aplicação da quimioterapia comum, mas com doses um pouco mais altas. São quatro sessões feitas uma vez por semana – o tratamento dura cinco semanas, já que há um descanso entre a segunda e a terceira semana. "O objetivo é matar as células que possam ter sobrado", esclarece o especialista. 

É algo importante sobretudo para alguns diagnósticos. "Entre as conclusões, além de perceber que as pacientes com linfonodo comprometido e adenocarcinoma, por exemplo, têm mais risco de a doença voltar em outros órgãos, nós concluímos que as mulheres com tumores maiores contam com mais risco de recidiva na pelve", finaliza Alexandre Balieiro. 

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