Estudo analisa papel da quimiorradiação neoadjuvante e de proteínas como a Rab5C em pacientes com câncer retal

Publicado em: 10/09/2019 - 09:09:17

Conduzida por cientistas do A.C.Camargo, pesquisa abre caminho para tratar pacientes com câncer retal de forma mais personalizada

 

No Brasil, para cada ano do biênio 2018-2019, estimam-se 18.980 novos casos de câncer colorretal em mulheres e outros 17.380 em homens, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). E o câncer retal representa um terço disso. 

Um protocolo bem estabelecido para o tratamento, que vem reduzindo o risco de recidiva local, é a quimiorradiação neoadjuvante: combinação de radioterapia com quimioterapia comum – as duas ao mesmo tempo – indicada antes da cirurgia em tumores localmente avançados.

Uma resposta patológica completa, no entanto, somente é alcançada em cerca de 20% dos casos, e os mecanismos associados à resistência ainda são pouco compreendidos. Daí surgiu um estudo para identificar potenciais alvos e prevenir a intolerância à quimiorradiação neoadjuvante, um trabalho intitulado Rab5C Enhances Resistance to Ionizing Radiation in Rectal Cancer (Rab5C Melhora Resistência à Radiação Ionizante no Câncer Retal).

 

Intuitos

Publicado no Journal of Molecular Medicine, o estudo consistiu em analisar amostras de biópsia coletadas de pacientes com adenocarcinoma retal de estágios II e III antes do tratamento neoadjuvante. Esses dados foram comparados com tecidos tumorais residuais removidos por cirurgia após a terapia neoadjuvante. Três proteínas, Ku70, Ku80 e Rab5C, exibiram um aumento significativo na expressão após a quimiorradiação.

“O objetivo do trabalho foi identificar ferramentas moleculares para predição de resposta ao tratamento pré-operatório em câncer de reto”, conta um dos autores, Samuel Aguiar Junior, head do Núcleo de Tumores Colorretais do A.C.Camargo.

“O tratamento pré-operatório, que é a quimiorradioterapia neoadjuvante, pode resultar em destruição completa do tumor, o que chamamos de resposta completa, e acontece em cerca de 20 % dos pacientes. Em casos muito selecionados, poderíamos até evitar a cirurgia. Mas, até o momento, não temos ferramentas com acurácia confiável e segura para determinar a resposta completa sem a cirurgia”, explica o médico, que ressalta que vários centros de referência no mundo tentam identificar essas ferramentas.

 

Terapia personalizada

Para entender melhor o papel das proteínas Ku70, Ku80 e Rab5C na resistência à terapia, uma linhagem de adenocarcinoma retal foi irradiada para gerar uma linhagem resistente à radioterapia. Essas células superexpressam as mesmas três proteínas identificadas nas amostras de tecido. 

Verificou-se, também, que a resistência à radioterapia nesse modelo in vitro envolve a modulação da internalização do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) por Rab5C, em resposta à irradiação. Isso afetou a expressão das proteínas de reparo do DNA, Ku70 e Ku80.

Em conjunto, esses achados indicam que o EGFR e o Rab5C são alvos potenciais para a sensibilização de células de câncer retal e devem ser mais investigados.

De acordo com o doutor Samuel Aguiar, o estudo abre uma nova linha de investigação no tratamento do câncer do reto. “Se conseguirmos validar o resultado em um ensaio clínico, podemos tratar pacientes com essa doença de forma mais personalizada”, analisa o especialista.

 

Prevenção 

A melhor forma de tentar se precaver ante o câncer retal é a colonoscopia. “Para o público geral, é recomendada a partir dos 45 anos”, avisa o doutor Samuel.

Para conferir o estudo (em inglês), clique aqui.

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