GIST (Tumor Estromal Gastrointestinal) | A.C.Camargo Cancer Center

GIST (Tumor Estromal Gastrointestinal)

O tumor estromal gastrointestinal ou GIST (da sigla em inglês para gastrointestinal stromal tumors) é um dos sarcomas de partes moles, que tem origem num grupo de células chamadas células de Cajal, presentes na parede dos órgãos do trato gastrointestinal.

Marcelo Cavicchioli

Sobre

Ensino Superior em Medicina, concluído em 1999, na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

Mestrado em Ciências da Saúde com foco em Oncologia, concluído em 2009, no A.C.Camargo Cancer Center

Especialização em Medicina Nuclear, concluída em 2002, na Associação Médica Brasileira e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Registro
CRM 97062
Especialidade
Medicina Nuclear
Departamento
Diagnóstico por imagem
Centro de Referência
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Franco Yasuhiro Ito

Sobre

Ensino Superior em Medicina, concluído em 1994, na Universidade de São Paulo - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto

Especialização em Anestesiologia, concluída em 1998, na Sociedade Brasileira de Anestesiologia

Especialização em Anestesiologia, concluída em 1999, na Sociedade Brasileira de Anestesiologia

Registro
CRM 82310
Especialidade
Anestesiologia
Departamento
Anestesiologia
Centro de Referência
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Heber Salvador de Castro Ribeiro

Sobre

Ensino Superior em Medicina, concluído em 2001, na Universidade Federal de Uberlândia

Mestrado em Oncologia, concluído em 2011, no A.C.Camargo Cancer Center

Doutorado em Cirurgia Oncológica, a ser concluído em 2020, no A.C.Camargo Cancer Center

Especialização em Cirurgia do Trauma, concluída em 2005, no Ministério da Educação

Especialização em Cancerologia, concluída em 2008, na Sociedade Brasileira de Cancerologia

Registro
CRM 122924
Especialidade
Cirurgia Abdominal
Departamento
Abdômen
Centro de Referência
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Felipe José Fernandez Coimbra

Sobre

Líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Formado pela Universidade Federal do Pará, concluiu o mestrado em Oncologia em 2005 no A.C.Camargo Cancer Center. Especializou-se em Cancerologia Cirúrgica na Sociedade Brasileira de Cancerologia, em 2003. Faz parte de sociedades médicas de oncologia e cirurgia envolvidas no tratamento, diagnóstico e prevenção dos tumores abdominais, como a Society of Surgical Oncology, International Society of Gastrointestinal Oncology, Colégio brasileiro de Cirurgiões, Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, SBC, ABCG, IHPBA. Faz a coordenação geral do Programa de Educação Continuada em Oncologia Gastrointestinal do A.C.Camargo (Pecogi), preside o programa de eventos internacionais em câncer do Aparelho Digestivo e é membro do Comitê Internacional de Pesquisa e do Conselho Executivo da Sociedade de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares das Américas (AHPBA). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica entre 2015 e 2017, liderando o reconhecimento da especialidade Cirurgia Oncológica no Brasil; é o único brasileiro a presidir a Americas Hepato-Pancreato-Biliary Association no período de 2019 a 2020 (representando, ao mesmo tempo, as associações americanas e mais de 20 países no continente), tendo, em maio de 2020, ministrado nos EUA a Presidential Address (aula de abertura do congresso Americano de Cirurgia de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares) sob o tema: Shaping the Future of HPB Oncology in Americas e Cirurgia de Precisão para Tumores de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares; é membro do comitê editorial de revistas científicas na área; é fundador da Revista Brasileira de Oncologia e da Semana Brasileira de Oncologia; é presidente e organizador de diversos congressos científicos nacionais e internacionais; é autor de mais de 100 publicações, consensos e capítulos de livros internacionais, bem como editor principal de livros em Oncologia Gastrointestinal; palestrante em diversos congressos e eventos em oncologia e cirurgia de tumores abdominais em mais de 20 países. 

 

Contato para candidatos a mestrado e doutorado

[email protected]

 

Registro
CRM 93020
Especialidade
Cirurgia Abdominal
Departamento
Abdômen
Centro de Referência
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Evandra Cristina Vieira da Rocha

Sobre

Ensino Superior em Medicina, concluído em 2000, na Universidade Federal de Alagoas

Doutorado em Gastroenterologia e Hepatologia Clínica, concluído em 2011, na USP

Especialização em Gastroenterologia, concluída em 2004, na Universidade de São Paulo

Especialização em Endoscopia Digestiva, concluída em 2006, na Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva

Registro
CRM 107034
Especialidade
Gastroenterologia
Departamento
Abdômen
Centro de Referência
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Andre Luis de Godoy

Sobre

Ensino Superior em Medicina, concluído em 1997, na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto

Especialização em Cancerologia Cirúrgica, concluída em 2006, na A.C.Camargo Cancer Center

Registro
CRM 93115
Especialidade
Cirurgia Abdominal
Departamento
Abdômen
Centro de Referência
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Alessandro Landskron Diniz

Sobre

Ensino Superior em Medicina, concluído em 2000, na Universidade Federal de Pelotas

Mestrado em Oncologia, concluído em 2008, no A.C.Camargo Cancer Center

Especialização em Cancerologia Cirúrgica, concluída em 2000, na Sociedade Brasileira de Cancerologia

Registro
CRM 102614
Especialidade
Cirurgia Abdominal
Departamento
Abdômen
Centro de Referência
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

GIST (Tumor Estromal Gastrointestinal)

O tumor estromal gastrointestinal ou GIST (da sigla em inglês para gastrointestinal stromal tumors) é um dos sarcomas de partes moles, que tem origem num grupo de células chamadas células de Cajal, presentes na parede dos órgãos do trato gastrointestinal. Essas células fazem parte do sistema nervoso autônomo e são responsáveis pela motilidade intestinal. São consideradas o marca-passo do sistema porque dão sinais para que os músculos movimentem líquidos e alimentos através do trato gastrointestinal.

O GIST é mais comum entre pessoas de 50 a 60 anos de idade, sendo extremamente raro em pacientes até os 20 anos. Justamente por ser raro, ele deve ser tratado em hospitais oncológicos ou especializados que tenham experiência multidisciplinar  na condução e no tratamento dos pacientes com esse tumor. Ele pode se originar em qualquer local do trato gastrointestinal, do esôfago ao ânus. Em relação à distribuição, 50% a 60% das lesões são provenientes do estômago, 20% a 30% do intestino delgado, 10% do intestino grosso, 5% do esôfago e 5% de outros locais da cavidade abdominal.

A maioria dos GISTs se desenvolve no estômago ou no intestino delgado e geralmente cresce nos espaços vazios do trato gastrointestinal, sem apresentar sintomas até atingir determinado tamanho. Os GISTs tendem a ser tumores frágeis, que sangram com facilidade, dependendo de sua localização e da rapidez de crescimento.

  • Sangramento no estômago e no esôfago pode fazer com que o paciente vomite sangue parcialmente digerido, parecendo pó de café; no estômago ou no intestino delgado, pode tornar as fezes negras; e no intestino grosso, pode tornar as fezes avermelhadas, com sangue vivo. Se o sangramento é lento e imperceptível a princípio, com o tempo ele pode causar anemia e fraqueza.
  • Dor no abdome
  • Inchaço ou massa palpável no abdome
  • Náusea, vômitos
  • Sentir-se "cheio" depois de comer pouco
  • Perda de apetite
  • Perda de peso
  • Dificuldade para engolir (no caso de tumores de esôfago)
  • Algumas vezes, o GIST cresce o bastante para causar uma obstrução do estômago ou do intestino, provocando dor abdominal severa e vômitos, o que constitui emergência cirúrgica.

FATORES DE RISCO

Não se conhecem muitos fatores de risco para o GIST. Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas isso não quer dizer que você vai ter GIST.

  • Idade: esse tipo de tumor pode atingir pessoas de qualquer idade, mas são raros antes dos 40 anos e mais frequentes entre os 50 e os 80 anos.
  • Síndromes genéticas: a maioria dos casos de GIST é esporádica, isto é, não é herdada, mas em alguns casos ele aparece em vários membros da mesma família, que herdam uma mutação genética que aumenta o risco de desenvolver a doença.
  • Síndrome familial de GIST: é uma condição rara que favorece o aparecimento da doença em pessoas bem mais jovens e de mais de um tumor. Geralmente, é causada por uma mutação num gene chamado KIT, que passa a estimular a proliferação descontrolada da célula. Esse gene é o mesmo que aparece alterado (mutado) nos casos esporádicos. A diferença é que pessoas com a síndrome familial têm essa mutação em todas as células do organismo e as que têm GIST esporádico apresentam a alteração apenas nas células cancerosas.
  • Neurofibromatose tipo 1 ou doença de von Recklinghausen
  • Síndrome de Carney-Stratakis

 

Se o médico suspeita de GIST, ele deverá pedir uma série de exames por imagem para verificar se é realmente um câncer, se ele se disseminou e para acompanhar o tratamento. A lista de exames para diagnóstico de GIST inclui endoscopia, endoscopia do trato digestivo alto, colonoscopia, tomografia, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT).

O exame definitivo para o diagnóstico de qualquer câncer, inclusive para determinar de que tipo de tumor se trata, é a biópsia. No caso dos GISTs, porém, que são tumores frágeis, que podem se romper e sangrar, as biópsias serão feitas apenas se ajudarem a determinar o tipo de tratamento. É fundamental que seja realizada por médico especializado nesse tipo de procedimento.

A biópsia, nesses casos, pode ser feita por endoscopia, biópsia por aspiração por agulha fina (BAAF) guiada por ultrassom ou ainda cirúrgica. A amostra pode ser submetida a vários testes, inclusive genéticos, para verificar a presença ou não da mutação no gene KIT e o índice mitótico, isto é, a contagem das células que se encontram em processo de divisão (reprodução). Se esse número for baixo, é um tumor de crescimento lento e, se for alto, de crescimento rápido. Esse dado também é importante para o estadiamento do GIST.

ESTADIAMENTO

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se, ou quanto, ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. No caso do GIST, é usado o sistema TNM, que é uma combinação de letras e números: T de tumor, N de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase, e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento. No caso dos GISTs, T1 é o tumor com 2 cm ou menos; T2, de mais de 2 cm, mas menos de 5 cm; T3 tem mais de 5 cm, mas menos de 10 cm; e T4 os que têm mais de 10 cm. Além desses critérios, acrescenta-se o índice mitótico, medida da quantidade de células do tumor que aparecem em divisão (reprodução) ao microscópio.

Estadiamento do GIST de estômago ou omento
O omento é uma prega de duas camadas do peritônio, a membrana que reveste os órgãos do sistema digestivo, e liga os órgãos da cavidade abdominal.

Estágio 1A: T1 ou T2, N0 (sem gânglios linfáticos afetados), M0 (sem metástase) e índice mitótico baixo.
Estágio 1B: T3, N0, M0 e índice mitótico baixo.

Estágio 2: T1 ou T2, N0, M0, índice mitótico alto ou T4, N0, M0, índice mitótico baixo.

Estágio 3A: T3, N0, M0, índice mitótico alto.
Estágio 3B: T4, N0, M0, índice mitótico alto.

Estágio 4: qualquer T, N1, M0, qualquer índice mitótico OU qualquer T, qualquer N, M1, qualquer índice mitótico.

Estadiamento do GIST de esôfago, intestino delgado, cólon, reto e peritônio

Estágio 1: T1 ou T2, N0, M0, índice mitótico baixo.
Estágio 2: T3, N0, M0, índice mitótico baixo.
Estágio 3A: T1, N0, M0, índice mitótico alto ou T4, N0, M0, índice mitótico baixo.
Estágio 3B: T2, T3 ou T4, N0, M0, índice mitótico alto.

Estágio 4: qualquer T, N1, M0, qualquer índice mitótico OU qualquer T, qualquer N, M1, qualquer índice mitótico.

Nem todo GIST precisa ser tratado imediatamente, mas, quando o tratamento é necessário, ele se baseia em cirurgia e terapia-alvo, que são drogas que impedem a proliferação e disseminação das células cancerosas, interferindo com moléculas específicas envolvidas no desenvolvimento do câncer e com menos efeitos colaterais que a quimioterapia convencional, porque só atacam as células cancerosas.
Existem diferentes opções cirúrgicas para os GISTs pequenos: a convencional aberta, a laparoscópica e a robótica, sempre com remoção de margem de segurança, ou seja, de tecido sadio ao redor do tumor. Se o tumor é grande e avançou para os intestinos, parte desses órgãos também será retirada na cirurgia, bem como de outros órgãos, como fígado, que tenham sido atingidos pelo câncer. Outra opção, nesses casos, é o uso de terapia-alvo, como o imatinibe antes do procedimento cirúrgico, para que o tumor seja reduzido e facilite a cirurgia. Essa droga também é usada no pós-cirúrgico e nos casos de GIST avançados, que não podem ser retirados cirurgicamente. Nesses casos avançados, a terapia-alvo não cura a doença, mas pode estacioná-la por vários anos. Existem duas outras opções de terapias-alvo, caso o paciente não possa tomar o imatinibe ou ele pare de fazer efeito.