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No Mês da Mulher, prevenção
deve fazer parte da rotina
No Mês da Mulher,
prevenção deve fazer
parte da rotina

Publicado em: 08/03/2019

Mais de 30 mil brasileiras são diagnosticadas a cada ano com câncer ginecológico. Visita regular ao ginecologista e aplicação da vacina anti-HPV evitam a maioria dos casos

Indolores, silenciosos e de lento desenvolvimento, os tumores do sistema reprodutivo da mulher atingem mais de 30 mil brasileiras por ano, de acordo com o INCA, Instituto Nacional de Câncer. Por outro lado, este tipo de câncer, que atinge o colo do útero, endométrio, ovário, vagina e vulva, poderia ser drasticamente reduzido no País com atenção e cuidados no cotidiano feminino. De olho nisso, no mês da mulher, o A.C.Camargo reforça o alerta e traz informações úteis de prevenção. 

“A prevenção desses tumores, em grande parte, depende da aplicação de medidas já amplamente conhecidas como a vacina anti-HPV, e o acompanhamento médico com a realização do Papanicolaou”, afirma Dr. Glauco Baiocchi Neto, head da Ginecologia do A.C.Camargo. Um dos grandes avanços da ciência nas últimas décadas – a vacina anti-HPV está disponível em toda a rede pública de saúde para faixas etárias especificas, assim como o Papanicolaou, exame que detecta precocemente lesões cancerígenas no colo do útero.

Saiba mais sobre as causas, prevenção e diagnóstico dos cinco principais tumores ginecológicos:

Colo do útero - A mais direta relação entre um fator de risco e um câncer se dá entre o HPV e o câncer de colo do útero, que atinge 16.370 mulheres por ano no país. Isso porque o vírus está presente no DNA de 99,7% dos tumores malignos no colo do útero, como destaca estudo do Lancet Oncology: https://doi.org/10.1016/S1470-2045(10)70230-8. Para oferecer às pacientes uma estratégia personalizada de prevenção, o A.C.Camargo Cancer Center incluiu essa análise em sua rotina clínica. O exame, como o Papanicolaou, consiste na coleta de células da parte inferior do útero (colo), material analisado por um patologista que, com uso de tecnologia, não só identifica a presença do DNA de HPV como também aponta se o tipo de vírus é mais ou menos agressivo.

Ao diferenciar entre HPV de baixo e de alto grau é possível oferecer o cuidado mais adequado para cada paciente. Dentre os HPVs de alto risco mais prevalentes estão os 16 e 18 (que representam 70% dos casos de câncer de colo do útero). Os tipos 6 e 11 são considerados de baixo risco para câncer de colo uterino, porém são a causa de 90% das verrugas genitais. “Quando diagnosticamos uma mulher com HPV de alto risco sabemos que ela tem probabilidade de apresentar lesões importantes, que estarão em nosso radar. Com isso podemos retirá-las antes que resultem em câncer. É um modelo muito eficaz de rastreamento”, explica o cirurgião-oncológico Glauco Baiocchi Neto. 

Saiba mais sobre câncer do colo do Útero

Câncer de endométrio - O tumor neste tecido que reveste o interior do útero é o mais frequente entre os tumores ginecológicos nos países desenvolvidos e o segundo mais comum no Brasil, com 6.600 mulheres diagnosticadas a cada ano. Tem maior frequência em mulheres acima de 60 anos, pós-menopausa, mas 20% atingem mulheres pré-menopausa. Embora não haja um teste específico para detectá-lo, o índice de cura é alto. As mulheres devem ficar atentas a sangramentos fora do período da menstruação, sobretudo na menopausa, além de corrimentos vaginais incomuns.

Estudo divulgado pela American Cancer Society mostra que o tumor no endométrio é duas vezes mais comum em mulheres com sobrepeso e três vezes mais frequente em obesas. O risco aumentado ocorre porque o tecido adiposo interfere na produção normal de estrogênio, feita pelos ovários.  

Saiba mais sobre câncer de endométrio 

Câncer de ovário - Como o câncer de endométrio, o de ovário não tem ligação direta com o HPV, presente nos demais tumores ginecológicos e que, na maioria dos casos iniciais, pode ser eliminado. Seu diagnóstico precoce é mais difícil: três em cada quatro casos são detectados em estágios já avançados, às vezes com metástases distantes. Não por acaso, é o mais temido: por ano, atinge 6.150 mulheres no país, a maioria com mais de 55 anos, pós-menopausa. Em cerca de 15% dos casos há fatores hereditários envolvidos, o que pede atenção especial ao histórico familiar e avaliação oncogenética. 

Neste contexto o câncer de ovário exige o máximo de atenção da paciente e seu médico, sobretudo por seus sintomas inespecíficos – inchaço e dores abdominais ou lombares, prisão de ventre, redução no apetite, sensação de bexiga cheia e mal funcionamento do intestino. Exames de sangue e ultrassom vaginal podem ser solicitados pelo ginecologista. O alerta: caso os desconfortos persistam por mais de 15 dias, consulte seu médico. 

Saiba mais sobre câncer de ovário

Vulva e vagina - São os menos frequentes entre os tumores do sistema reprodutor da mulher – juntos, representam cerca de 4% dos casos, portanto pouco mais de duas mil brasileiras acometidas anualmente, de acordo com o INCA. Com lesões associadas em parte dos casos ao HPV e sintomas diversos, muitas vezes confundidos com manifestações menos graves, tem sua identificação dificultada. Mas podem ser detectáveis em exames ginecológicos ou a partir do alerta de desconfortos recorrentes da mulher. Quando identificados precocemente e com tratamento adequado, têm ótimos índices de cura.

Importante notar que em fases mais avançadas o câncer de vagina pode apresentar sangramento após a relação sexual, dor pélvica ou na vagina, dificuldade ao urinar, constipação e corrimentos anormais. Acomete mais frequentemente mulheres acima dos 60 anos, imunossuprimidas, tabagistas e portadoras do HPV. Entre os exames para detecção estão o Papanicolaou, a colposcopia e biópsias.

Já o câncer de vulva, que como os demais tumores ginecológicos costuma levar anos para se desenvolver, acomete principalmente mulheres com idade acima dos 60 anos. Além do HPV, fatores como imunossupressão, lesões da pele e vulvares pré-cancerígenas e tabagismo podem estar associados. A mulher deve ficar atenta em caso de coceira ou sensação de queimação na vulva, alterações na cor da pele dos grandes lábios e na superfície da pele da vulva, nódulos, dor pélvica, dor ao urinar ou desconforto durante a relação sexual. Entre os exames estão a vulvoscopia e biópsias.

Saiba mais câncer de vulva

HPV x câncer: entenda a relação 

Um ponto que merece atenção é a relação do HPV, o Papiloma Vírus Humano, com o câncer. Dr. Glauco Baiocchi destaca que a simples presença do HPV nos órgãos do sistema reprodutor não significa que a mulher terá câncer. “Quando detectada precocemente, a lesão por HPV deve ser eliminada. Com essa medida, a chance de evolução para um câncer de colo do útero, por exemplo, reduz-se a praticamente zero”, diz o médico. 

Transmitido sexualmente pelo homem e pela mulher, o HPV está presente em 55% dos jovens entre 18 e 25 anos, de acordo com pesquisa do Ministério da Saúde de 2018. A maioria das pessoas com vida sexual ativa irá contrair o HPV em algum momento e será capaz de eliminá-lo – como acontece com os vírus, em geral. Mas os que não conseguem debelar o vírus podem desenvolver lesões que levam ao câncer.