Tipos de Câncer

Pênis
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O câncer de pênis é evitável, já que suas principais causas são a falta de higiene e a fimose e, pior, 90% dos casos atendidos no A.C. Camargo Cancer Center se apresentam em estágio avançado, quando a amputação do órgão é praticamente inevitável. As primeiras alterações que levam ao câncer de pênis são perceptíveis e, aparentemente, muitos homens ou não dão atenção ou têm vergonha de procurar o médico. No início, o câncer de pênis se apresenta na forma de células malignas concentradas nas camadas superficiais do pênis, principalmente na glande, a cabeça do pênis, e a lesão costuma ser indolor ou pouco dolorosa. Com o passar do tempo, o tumor se espalha pelo interior do órgão e atinge os gânglios linfáticos da virilha e abdome.
Há vários tipos de câncer de pênis, dependendo das células em que tem origem. A maioria, porém, tem origem nas células da pele chamadas de células escamosas, que representam 95% dos casos desse tipo de câncer. A maior parte dos casos de câncer de pênis das células escamosas têm início no prepúcio, em homens que não foram circuncidados, ou na glande. É um câncer de desenvolvimento lento que, diagnosticado precocemente, tem grandes chances de cura. 
Uma variante rara do câncer de células escamosas é o carcinoma verrucoso, também chamado de tumor de Buschke-Lowenstein, que pode aparecer em várias áreas da pele e se assemelha a uma grande verruga genital. Ele também tende a ter desenvolvimento lento, mas pode crescer bastante e se infiltrar profundamente em tecidos próximos. 
O primeiro estágio do câncer de células escamosas é chamado de carcinoma in situ, quando as células cancerosas são encontradas apenas nas camadas mais superficiais da pele. Quando ele se encontra na glande, é chamado de eritroplasia de Queyrat e, quando surge no corpo do pênis ou outras áreas dos genitais, também é chamado de doença de Bowen.
 

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas não quer dizer que você vai ter câncer de pênis.

Idade: A maioria dos casos é de homens na faixa dos 50 aos 70 anos de idade, mas 30% dos casos ocorrem em homens com menos de 50 anos.

Falta de higiene: A limpeza do órgão genital durante o banho, por exemplo, impede o acúmulo de esmegma, secreção das glândulas que ficam sob a pele que cobre a cabeça do pênis e comum principalmente quando há fimose, fator causador de inflamação crônica.

Fimose: Em homens que não foram circuncidados, às vezes o prepúcio se torna apertado e difícil de retrair, o que é chamado de fimose, que pode ser corrigido por cirurgia ainda na infância. Homens com fimose ou que fizeram cirurgia mais tarde, na idade adulta, têm mais risco de ter câncer de pênis.

Infecção por HPV: O HPV é uma família de cerca de 140 tipos de vírus e alguns causam verrugas genitais (condiloma) e outros, câncer de colo do útero, os chamados HPVs de alto risco. Os HPVs são transmitidos sexualmente e o risco de infecção é maior em quem tem início precoce da vida sexual e mantém relações sexuais sem preservativo. Hoje existe vacina que previne a infecção por HPV. A vacina não serve para quem já tem HPV, mas deve ser aplicada em meninas e meninos antes do início da vida sexual. Há 2 vacinas no mercado. Uma é eficaz contra as versões 16 e 18 do vírus, que respondem por até 70% dos casos de câncer de útero. A outra é eficaz contra os tipos 16 e 18 e contra as variedades 6 e 11, responsáveis por 80% dos casos de condiloma (verrugas genitais).

Fumo: O fumo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão e vários outros, como boca, garganta, faringe, laringe, estômago, fígado, pâncreas, rins, bexiga e leucemias e também para câncer de pênis. E se o fumante também tem infecção por HPV, o risco é ainda maior.

AIDS: Portadores do HIV correm maior risco de ter câncer de pênis, o que parece estar associado à sua baixa imunidade.

Sexo com animais: Estudo inédito liderado pelo A.C.Camargo Cancer Center, e publicado em 2011 no Journal of Sexual Medicine, relaciona a prática de sexo com animais como fator de risco isolado importante para o desenvolvimento de câncer de pênis. O estudo envolveu 492 homens que vivem em zonas rurais brasileiras (171 com câncer de pênis e 374 sadios) e identificou que de 3 a 4 entre 10 pessoas dessas regiões tiveram uma ou mais relações com animais. Como fator isolado, o sexo com animais dobra o risco de desenvolver câncer de pênis. Uma das prováveis explicações para tal associação é o fato de que a mucosa genital do animal, mais "dura" que a humana, pode provocar microtraumas na mucosa do homem e colaborar com o desenvolvimento do câncer. Outra hipótese é a existência de elementos tóxicos na secreção animal ou de microrganismos capazes de infectar o ser humano.

Os sintomas de câncer de pênis variam bastante e nem sempre são específicos, podendo indicar outras doenças que merecem atenção médica.

  • Mudanças na pele: Área que fica mais grossa, mudanças na cor, nódulo, ferida que sangra ou não cicatriza, erupção cutânea vermelha sob o prepúcio, pequenos nódulos escamosos, crescimento de manchas marrom-azuladas planas, fluido malcheiroso ou sangramento sob o prepúcio
  • Inchaço na cabeça do pênis
  • Nódulos na virilha, quando o tumor alcançou os gânglios linfáticos

A suspeita de câncer de pênis é confirmada ou descartada por meio de biópsia, que também vai identificar com precisão de que tipo de câncer se trata. O tipo de biópsia vai depender do tamanho e localização da lesão. Quando as lesões são maiores, ulceradas ou suspeita-se que o tumor invadiu mais profundamente o tecido, a opção é a biópsia incisional, que pode ser feita em ambulatório ou consultório com anestesia local. A biópsia excisional, que remove todo o tumor, é mais usada em lesões pequenas. Quando a lesão está no prepúcio, recomenda-se a circuncisão. A biópsia por aspiração por agulha fina (BAAF) costuma ser usada quando há suspeita de que o câncer atingiu os gânglios linfáticos próximos.
Exames por imagem como Raios-X, ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), também podem ser pedidos para verificar se o tumor atingiu outros órgãos ou para acompanhar o tratamento.

A cirurgia é o tratamento básico para todos os tipos de câncer de pênis e as técnicas que evitam a amputação do órgão são usadas, sempre que possível, para preservar a função sexual, a aparência do pênis e a capacidade de urinar em pé.
Se o tumor é pequeno e ainda não se espalhou, ele pode ser removido por biópsia excisional, mas se ele é grande ou se encontra em estágio avançado, parte do pênis ou todo ele terá de ser retirado. Na excisão simples, o tumor é removido cirurgicamente, bem como parte do tecido normal adjacente, que é o mesmo que a biópsia excisional. Na excisão local ampla, a margem de segurança é maior e a quantidade de tecido normal removida também, para garantir que não restaram células cancerosas. Se a área for grande, a pele de outra parte do corpo é usada para fazer um enxerto.
Além das técnicas convencionais, o tumor pode ser removido por laserterapia e pela cirurgia de Mohs, um processo delicado e demorado em que cada camada de pele removida é analisada ao microscópio e uma nova camada é retirada se a primeira apresenta células cancerosas. O processo é repetido até que uma camada de células livres de tumor seja retirada.
A penectomia parcial é a cirurgia em que apenas a cabeça do pênis é removida. Se não for possível preservar parte suficiente do pênis para que o paciente possa urinar de pé (2 cm a 3 cm), é realizada a penectomia total, incluindo as ligações com a pelve. O cirurgião cria uma nova abertura para a eliminação da urina. Em casos muito avançados, também escroto e testículos precisam ser removidos e o paciente terá de fazer reposição de testosterona pelo resto da vida.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos.

Estágio 0: O câncer não atingiu o tecido abaixo das camadas superficiais da pele e não alcançou gânglios linfáticos ou áreas distantes
Estágio 1: O câncer atingiu o tecido logo abaixo das camadas superficiais da pele, mas não atingiu vasos sanguíneos ou linfáticos, nem gânglios linfáticos ou áreas distantes
Estágio 2: O câncer atingiu o tecido logo abaixo das camadas superficiais da pele e OU é de alto grau OU atingiu vasos sanguíneos ou linfáticos, mas não alcançou gânglios linfáticos ou áreas distantes; OU o câncer atingiu o corpo esponjoso ou corpo cavernoso, mas não alcançou gânglios linfáticos ou áreas distantes; OU o câncer atingiu a uretra, mas não alcançou gânglios linfáticos ou áreas distantes;
Estágio 3A: O câncer atingiu o tecido abaixo das camadas superficiais da pele e pode ter alcançado o corpo esponjoso ou a uretra. O câncer atingiu um único gânglio linfático da virilha, mas não se disseminou para órgãos distantes.
Estágio 3B: O câncer se desenvolveu nos tecidos do pênis e pode ter alcançado o corpo esponjoso, o corpo cavernoso ou a uretra e alcançou dois ou mais gânglios linfáticos da virilha, mas não se disseminou para órgãos distantes.
Estágio 4: O câncer atingiu os gânglios linfáticos da pelve ou o câncer que atingiu os gânglios linfáticos da virilha alcançou a camada externa desses gânglios e os tecidos próximos, mas não se disseminou para órgãos distantes OU o câncer atingiu a próstata ou outras estruturas próximas e pode ou não ter alcançado os gânglios linfáticos da virilha, mas não se disseminou para órgãos distantes OU se disseminou para órgãos distantes.