Tipos de Câncer

Pele Melanoma
Pele Melanoma

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados neste ano, no País, 6.260 novos casos de melanoma, sendo 2.920 em homens e 3.340 em mulheres. A maioria dos casos se concentra na região Sul, em pessoas de pele clara.  

Descoberto em seus estágios iniciais, o melanoma é quase sempre curável. Porém, se diagnosticado tardiamente, tende a se espalhar para outras partes do corpo, no processo chamado metástase. O melanoma representa apenas 3% dos casos de câncer de pele no Brasil, mas é importante se proteger do sol e procurar o médico assim que perceber pintas diferentes, porque ele tem alto risco de metástase. 

A pele é o maior órgão do corpo humano, responsável pela troca de calor e água com o ambiente, encarregado de proteger os órgãos internos contra bactérias e de captar e enviar para o cérebro informações sobre calor, frio, dor e tato. A pele tem três camadas: a epiderme, mais externa e mais fina, a derme e o tecido subcutâneo, mais profundo.  

A epiderme, por sua vez, tem três camadas: a superior, formada por células chamadas queratinócitos, a média e a mais interna, formada pelas chamadas células basais, que dão origem aos queratinócitos ou células escamosas, que impermeabilizam a pele, e aos melanócitos, que produzem melanina, o pigmento marrom que dá cor à pele e cuja função é proteger as camadas mais profundas da pele contra os efeitos nocivos da radiação solar. Negros e brancos possuem a mesma quantidade de melanócitos, mas as pessoas de pele escura produzem mais melanina, especialmente uma chamada eumelanina, mais eficiente na proteção contra os raios ultravioleta (UV) do sol. É por isso que negros e afrodescendentes têm menor risco de desenvolver câncer de pele. 

Há dois tipos básicos de câncer de pele, o não melanoma, que surge nas células basais ou nas escamosas, e o melanoma, que tem origem nos melanócitos, células que produzem a melanina, o pigmento que dá cor à pele. Na maioria das vezes, melanomas aparecem em pessoas de pele clara, no tronco dos homens e nas pernas das mulheres, embora possam surgir em outras partes do corpo também. Apesar de mais comum em pessoas de pele clara, negros e seus descendentes não estão livres da doença.  

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas isso não quer dizer que você vai ter câncer de pele melanoma. Não se sabe ao certo o que causa o melanoma, mas há fatores de risco conhecidos associados à doença.

Sol: a exposição prolongada ao sol, sem protetor solar (é recomendado, no mínimo, fator 30), envelhece a pele e aumenta enormemente o risco de câncer no futuro.

Ter pele clara: o risco é bem maior entre pessoas brancas (loiras e ruivas) do que entre as negras ou afrodescendentes, o que não significa que negros não têm câncer de pele, porém é mais raro.

Grave queimadura de sol: na infância ou adolescência, aumentam o risco de aparecimento da doença mais tarde.

Já ter tido melanoma aumenta enormemente o risco de ter outro.

Pintas: uma pinta (nevus) é um tumor benigno, mas alguns tipos de pinta aumentam o risco de uma pessoa desenvolver melanoma. Pessoas com muitas pintas, especialmente as grandes, devem consultar um especialista regularmente e ter cuidado redobrado quando expostas ao sol.

Histórico familiar: cerca de 10% dos pacientes com melanoma têm um parente próximo (pai, mãe, irmãos, filhos) com a doença. Pode ser porque a família tem o hábito de passar muito tempo ao ar livre, porque são todos de pele muito clara ou ambos. Membros dessas famílias devem consultar o especialista pelo menos uma vez por ano, aprender a observar a própria pele e ter cuidado redobrado quando expostos ao sol. O melanoma familial, como é chamado, pode ocorrer também por um defeito hereditário, principalmente quando há mais de um melanoma em um indivíduo ou em parentes de primeiro grau. Nesses casos, é bom consultar um oncogeneticista.

Xeroderma pigmentosa: é uma doença genética rara. Os doentes, também conhecidos como "Filhos da Lua", têm um dano no DNA que impede o reparo da pele atingida pelos raios do sol e de algumas fontes de iluminação artificial (emissões de radiação ultravioleta). Os portadores podem ter vários cânceres de pele, começando já na infância.

Imunossuprimidos: transplantados que tomam drogas para evitar a rejeição correm maior risco de ter câncer de pele, que, nesses casos, crescem mais depressa e podem até ser fatais

Idade: melanomas são mais comuns em adultos, mas também podem surgir em pessoas jovens.

Prevenção: filtro solar (no mínimo, fator 30), chapéu e óculos escuros, que protegem a área delicada em torno dos olhos, são as melhores armas para prevenir o câncer de pele. O cuidado deve ser redobrado com as crianças, porque a exposição exagerada ao sol nos primeiros 20 anos de vida é decisiva para o aparecimento de câncer de pele na meia-idade. Pessoas de alto risco (pele e olhos claros) precisam usar filtro solar no dia a dia também, principalmente no rosto e nos braços, em passeios, caminhadas, ao fazer exercícios ou compras ao ar livre. A recomendação vale também para aqueles dias de mormaço ou nublados.

Uma pinta normal é geralmente marrom ou preta, de coloração uniforme, chata ou levemente elevada em relação ao restante da pele. As pintas podem ser redondas ou ovais e costumam ser menores que aquela borracha na ponta de um lápis. Podem estar na pele já no nascimento ou aparecer depois, mas são estáveis, com mesmo tamanho, forma e cor por muitos anos, embora possam clarear nas pessoas idosas.

As pintas "preocupantes" seguem uma regra chamada ABCD:

Assimétricas: quando a metade da pinta não "casa" com a outra metade.

Bordas irregulares: se elas são dentadas, chanfradas, com sulcos.

Cor: quando não é a mesma em toda a pinta, com diferentes tons de marrom e preto e, às vezes, de vermelho, azul ou branco também.

Diâmetro de mais de 0,5 cm, embora médicos possam diagnosticar melanomas bem menores com um aparelho chamado dermatoscópio.

Alguns melanomas fogem dessa descrição e o melhor é procurar um especialista, se você suspeitar de algo diferente.

Em caso de suspeita de melanoma, seu médico vai perguntar quando a mudança em sua pele surgiu, se ela aumentou de tamanho ou mudou de aparência, se alguém mais em sua família teve câncer de pele e sobre a sua exposição aos fatores de risco. Ele vai examinar você e verificar tamanho, forma, cor, textura da lesão, se ela sangra ou descama, se há outras manchas e pintas suspeitas e se há inchaço dos gânglios linfáticos do pescoço, das axilas e da virilha, que pode indicar que o melanoma se espalhou.

A confirmação ou não do diagnóstico é feita por meio de uma biópsia, sempre feita com anestesia. O tipo de biópsia vai depender do tamanho da lesão e de sua localização no corpo, mas, nos casos de suspeita de melanoma, os médicos removem todo o tumor durante a biópsia, método chamado biópsia excisional ou biópsia de excisão.

Em alguns casos raros, o melanoma se espalha (metástase) para os gânglios linfáticos, os pulmões, o cérebro ou outros órgãos enquanto a lesão na pele ainda é muito pequena. Quando isso ocorre, o melanoma metastático pode ser confundido com um câncer que teve início nesses órgãos. Por exemplo, descobre-se um câncer que parece ser de pulmão, mas, na verdade, é um melanoma que atingiu o pulmão. Nesses casos, as amostras da biópsia são examinadas para ver se trata de melanoma, porque diferentes tipos de câncer exigem diferentes tratamentos.

Os testes para descobrir se o melanoma se disseminou pela pele ou atingiu outros órgãos podem envolver exames por imagem, como raios X, tomografia, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT).

Nos casos de melanoma, a escolha do tratamento vai depender basicamente da espessura do tumor e de seu estadiamento. Melanomas finos podem ser tratados com uma pequena cirurgia para sua remoção, chamada excisão simples, em que o câncer é retirado juntamente com uma pequena porção de tecido sadio, que será examinado para verificar se não restou tecido canceroso na região. Se os gânglios linfáticos próximos ao tumor foram atingidos, eles também serão retirados, num procedimento cirúrgico chamado linfadenectomia.

Quando o melanoma é metastático e atingiu órgãos distantes como pulmão, fígado ou cérebro, ele não pode mais ser curado por cirurgia. Ainda assim, ela pode ser indicada para ajudar o paciente a viver mais ou ter mais qualidade de vida. Em um grupo limitado de pacientes, a cirurgia pode ser considerada curativa, principalmente quando se passa mais de um ano entre o tratamento do melanoma e o aparecimento de uma ou poucas metástases.

A quimioterapia não funciona tão bem no melanoma quanto em outros tipos de câncer, mas, ainda assim, pode melhorar a qualidade de vida e prolongar a vida do paciente. Da mesma forma que a quimio, a radioterapia pode ser usada para aliviar dores (especialmente nos casos de metástases ósseas) e evitar a volta (recidiva) do tumor.

A imunoterapia é outra opção para tratamento do melanoma, com uso do interferon, uma substância que o organismo produz para combater infecções e que pode ser usada nos casos em que haja maior probabilidade de o câncer voltar após o tratamento. Um dos avanços mais recentes no tratamento do câncer é o chamado medicamento imuno-oncológico, e um deles é específico para o melanoma metastático. Essa droga, chamada anti-CLTA-4, literalmente destrava uma proteína que controla a ação dos linfócitos T, células do sistema de defesa do organismo, que passam a atacar o câncer. As drogas anti-CLTA-4 podem curar o melanoma metastático em até 20% dos casos.

No A.C.Camargo Cancer Center, nossos pacientes com melanoma podem fazer também a chamada biópsia líquida, um exame de sangue em que se busca a presença de células cancerosas na corrente sanguínea ou fragmentos de DNA tumoral. Essa técnica pode permitir a detecção precoce do câncer e, principalmente, verificar o andamento do tratamento. Além disso, ela permite que, ao longo do tratamento, os médicos identifiquem alterações que estão ocorrendo no tumor em nível molecular e possam modificar ou não a terapia.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se, ou quanto, ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso, é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase, e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.