Tipos de Câncer

Pâncreas
Pâncreas

O pâncreas é uma glândula que tem duas funções principais: uma é a produção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue, e outra a produção de enzimas digestivas, que ajudam a quebrar os alimentos em partículas que serão absorvidas pelo organismo. O pâncreas fica no retroperitônio, região atrás dos órgãos abdominais (estômago, intestino), junto ao duodeno, com vasos sanguíneos importantes, responsáveis pela irrigação sanguínea do fígado, estômago, baço e intestinos. O pâncreas se divide em cabeça, colo pancreático, corpo e cauda, que é colada ao baço. 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pâncreas representa 2% do total de casos diagnosticados no País e 4% das mortes.  A maioria dos casos de câncer de pâncreas são de adenocarcinomas, que têm origem nas células que revestem os ductos por onde enzimas digestivas são liberadas. Esse câncer não tem sintomas específicos e dificilmente é diagnosticado nos estágios iniciais, o que limita as opções de tratamento.
 

Vale lembrar que fatores de risco aumentam o seu risco de desenvolver câncer, mas não querem dizer que você vai obrigatoriamente ter câncer de pâncreas. Afinal, pessoas sem fatores de risco também pode desenvolver câncer.

Fumo: O fumo é o principal fator de risco para o câncer de pâncreas e vários outros, como boca, garganta, faringe, laringe, estômago, fígado, pulmão, rins, bexiga e leucemias e causa 30% das mortes por câncer. Há relação direta entre o número de cigarros consumidos e a incidência de câncer de pâncreas. Fumantes têm risco aumentado em 2 a 6 vezes em relação a não fumantes.

Obesidade: Estar muito acima do peso aumenta o risco de desenvolver câncer de pâncreas em 20%.

Idade: A doença é mais comum em pessoas com mais de 55 anos.

Diabetes tipo 2: Pessoas com longo histórico da doença também apresentam risco aumentado.

Pancreatite crônica: A inflamação crônica do pâncreas também é associada ao maior risco de câncer, especialmente em fumantes.

Histórico familiar de câncer de pâncreas ou de pancreatite hereditária causada por mutações no gene PRSSI

Síndrome familiais de câncer: Mutações genéticas hereditárias respondem por até 10% dos casos de câncer de pâncreas entre elas as mutações nos genes BRCA1 e BRCA 2, que causam a síndrome familial de mama e ovário, e síndrome de Lynch, causada por mutações nos genes MLH1 e MSH2, associada ao câncer colorretal. Nestes casos, paciente e família devem ser acompanhados regularmente por equipe de Oncogenética.

Geralmente, o câncer de pâncreas não causa sintomas em seus estágios iniciais e, quando eles se manifestam, costumam ser inespecíficos e relacionados a outros órgãos do sistema digestivo.

  • Icterícia
  • Urina escura e fezes de cor clara
  • Dor no abdome ou na lombar
  • Sensação de empachamento
  • Náusea, Vômitoou indigestão
  • Cansaço
  • Perda de apetite
  • Perda de peso inexplicável
  • Aparecimento repentino de diabetes

Exames de sangue podem detectar a elevação de um marcador tumoral chamado CA 19.9, que acontece em 80% dos casos. Mas esse marcador não é específico de câncer de pâncreas e pode indicar a presença de doenças benignas ou de tumores de outros órgãos. Em caso de suspeita de câncer de pâncreas, o médico pode pedir uma série de exames por imagem, incluindo tomografia e ressonância magnética.
A ultrassonografia endoscópica, que é o ultrassom realizado com aparelho de endoscopia, pode ser utilizada para avaliar se o câncer invadiu vasos sanguíneos importantes ou para obter amostra de tecido para biópsia. A colangiopancreatografia endoscópica retrógrada é uma técnica invasiva, que consiste na injeção de contraste na via biliar e no pâncreas para tratar infecção que alguns pacientes podem desenvolver (colangite). Este exame também permite a obtenção de amostra de tecido para biópsia. A biópsia não apenas confirma ou descarta o diagnóstico de câncer, como mostra de que tipo de câncer se trata.

As chances de cura do câncer de pâncreas estão diretamente associadas ao diagnóstico precoce e tratamento com cirurgia quimioterapia e radioterapia. Dependendo da localização do tumor, duas cirurgias principais podem ser realizadas: a duodenopancreatectomia, que é a retirada do duodeno, cabeça do pâncreas, vesícula biliar, ou a pancreatectomia corpo caudal, que é a retirada do corpo e cauda do pâncreas e do baço. Hoje é possível realizar a cirurgia do pâncreas por vídeolaparoscopia em alguns casos.

Todo paciente deve ser tratado com quimioterapia no pós-operatório para destruir as células tumorais que ainda estiverem vivas. Em pacientes com tumores avançados, também se utilizada a terapia neoadjuvante antes da cirurgia, ou seja, quimioterapia para reduzir o tumor e facilitar o procedimento cirúrgico. Em muitas situações também deve se realizar a radioterapia como reforço ao tratamento.
Em pacientes em que a retirada do tumor não pode ser realizada por algum motivo, a cirurgia paliativa oferece qualidade de vida, permitindo que o paciente possa se alimentar normalmente, reduzindo as dores nas costas e pondo fim à icterícia.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. No caso do câncer de pâncreas, essa classificação vai de 0 a IV, em algarismos romanos, sendo esse último o estágio mais avançado;

Estágio 0: Células anormais são encontradas apenas no tecido de revestimento e podem dar origem a um câncer. Esse estágio também é chamado de carcoma in situ.

Estágio I: O câncer está limitado ao pâncreas e se divide em IA e IB, de acordo com seu tamanho. Os tumores IA têm 2cm ou menos e os tumores IB têm mais de 2 cm.

Estágio II: O câncer é grande OU se disseminou para os gânglios linfáticos. Ele se divide em IIA e IIB, em que o IIA tem mais de 4cm e IIB, quando o câncer atingiu os gânglios linfáticos

Estágio III: O câncer se disseminou para os principais vasos sanguíneos ou para quatro ou mais gânglios linfáticos próximos

Estágio IV: O câncer se disseminou para órgãos distantes como fígado, pulmão e cavidade peritoneal.