Tipos de Câncer

Ósseos
Ósseos

O câncer ósseo é um sarcoma que se inicia nos ossos, que dão suporte e estrutura ao corpo. Eles geralmente são ocos e constituídos pela matriz, que é a parte externa dos ossos e coberta por um tecido denominado periósteo; pela medula óssea, que contém células gordurosas, plasma, glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas, além dos fibroblastos, que são células que dão origem ao tecido conectivo. Nas extremidades dos ossos há cartilagem, um tecido não tão rígido quanto os ossos, mas mais firme que os tecidos moles. A cartilagem mais os ligamentos e outros tecidos formam as articulações, que conectam alguns ossos. Os ossos se lateram constantemente, à medida que que tecidos antigos se desfazem e novos são formados para substitui-los, através do depósito de cálcio sobre as cartilagens. 

Os tipos mais comuns de tumores ósseos são:

Osteosarcoma ou sarcoma osteogênico, que é o principal tipo de câncer ósseo e ocorre com mais frequência em crianças e adolescentes, embora represente 25% dos casos de câncer ósseo em adultos. Ele tem início nas células ósseas, geralmente na pelve, braços e pernas, especialmente nos joelhos. 

Condrosarcoma é um câncer das células da cartilagem. Mais de 40% dos tumores ósseos em adultos são desse tipo. Costumam ser diagnosticados por volta dos 50 anos e 70% dos casos ocorrem em pacientes acima dos 40 anos. Condrosarcomas tendem a ser diagnosticados em estágio inicial e geralmente são de baixo grau (ou seja, não costumam se disseminar). Muitos condrosarcomas são benignos. Esse tipo de tumor se desenvolve em qualquer área do corpo que tenha cartilagem, especialmente na pelve, braços e pernas.

Sarcoma de Ewing é o segundo câncer ósseo mais comum em crianças e adolescentes e o terceiro mais prevalente em adultos. O sarcoma de Ewing pode ter início nos ossos, tecidos ou órgãos, especialmente na pelve, tórax, braços e pernas.

Cordoma, que responde por 10% dos casos em adultos, geralmente aparece na espinha e na base do crânio.

O Encondroma é um tumor benigno de proliferação cartilaginosa comum em ossos longos. A idade mais frequente de acometimento está entre 20 e 50 anos e pode ocorrer em ambos os sexos. Os ossos com maior incidência desse tipo de tumor são os das mãos e dos pés (falanges, metacarpos e metatarsos). Muitas vezes o crescimento deste tumor é assintomático e o diagnóstico é incidental, ou seja, o paciente procura o médico por outro motivo (por exemplo, um trauma) quando é feita uma radiografia e o tumor é identificado. Quando existem sintomas, a queixa mais frequente é dor e pode estar associada a uma fratura. As chances desse tumor se tornar maligno são raras.

O Osteocondroma é um tumor benigno da superfície do osso, como uma protuberância óssea coberta por uma capa de cartilagem. É o tumor benigno ósseo mais frequente. A maior parte do diagnóstico é feito na idade jovem, antes dos 20 anos. Em muitos casos, é assintomático. Muitas vezes, o paciente procura o médico por outra causa o exame de imagem identifica o tumor. Os ossos mais frequentemente acometidos são o fêmur (osso da coxa), a tíbia (osso da perna), o úmero (osso do braço) e os ossos da pelve. A transformação em tumor maligno é rara.

O Mieloma múltiplo é um câncer primitivo da medula óssea. Pode ser solitário quando acomete apenas um local (plasmocitoma) ou múltiplo. É o tumor ósseo maligno mais comum na vida adulta e geralmente atinge pacientes com mais de 40 anos, com um pico de incidência aos 60 anos. O mieloma múltiplo compromete principalmente as vértebras, costelas, crânio, ossos chatos das cinturas pélvica e escapular, úmero (osso do braço) e fêmur (osso da coxa). Dor é a queixa clínica mais frequente, associada ou não ao aumento de volume. Às vezes, a primeira manifestação pode ser por ocorrência de uma fratura. Muitas vezes, não é necessário um trauma importante para causar a fratura, pois o osso encontra-se fragilizado pela lesão.

O Osteoma osteóide é um tumor benigno produtor de tecido ósseo, sendo mais frequente em crianças e adultos jovens e, embora possa acometer qualquer osso, as localizações mais frequentes são o fêmur (osso da coxa) e tíbia (osso da perna). A queixa clínica mais comum é o da dor, principalmente noturna, que melhora com anti-inflamatórios.

O Tumor de Células Gigantes (TGC) é um tumor benigno, porém agressivo, que corresponde a cerca de 20% dos tumores benignos ósseos. Pode acometer qualquer idade, porém é mais frequente nos adultos jovens, entre 20 e 40 anos. O sintoma mais frequente é a dor, que inicialmente é de caráter intermitente. Esse sintoma pode estar acompanhado de aumento de volume no local. Os locais mais frequentes de acometimento são a região do joelho (fêmur, osso da coxa, e tíbia, osso da perna) e punho (rádio, osso do antebraço). Alguns casos raros podem apresentar disseminação à distância, com metástases pulmonares.
 

A causa do câncer ósseo ainda não está totalmente esclarecida. É comum pacientes associarem histórias de traumas, como pancadas fortes, por exemplo, ao desenvolvimento dos tumores ósseos, mas o que realmente ocorre é que isso faz o paciente ou sua família prestar mais atenção ao local. Assim percebem uma massa estranha no local e vão ao médico.

Sabe-se, porém, que algumas síndromes familiais de câncer, como o retinoblastoma, um câncer ocular, e a síndrome de Li-Fraumeni aumentam o risco desses tumores, bem como doenças como a osteomielite e a doença de Paget.

Os sintomas de câncer ósseo variam de pessoa para pessoa e ainda de acordo com a sua localização e tamanho.

  • Dor
  • Inchaço ou sensibilidade numa articulação ou perto dela
  • Dificuldade para realizar movimentos comuns
  • Cansaço
  • Febre
  • Perda de peso inexplicável
  • Anemia
  • Fraturas

Uma radiografia costuma confirmar a suspeita de tumor, mas só a biópsia, com a remoção de uma pequena parte do osso, pode comprovar a presença de células cancerosas e determinar qual o tipo de câncer. A biópsia pode ser feita por meio de introdução de agulha para remoção de uma amostra cilíndrica do osso ou por biópsia cirúrgica. A escolha vai depender de vários fatores, inclusive a localização do tumor.

A cirurgia é o principal tratamento para a maioria dos tumores ósseos. Quando possível, é recomendável que o mesmo cirurgião faça a biópsia e a cirurgia, para que se familiarize e localize o tumor com mais precisão. O objetivo da cirurgia é retirar a maior parte possível do câncer para evitar que células remanescentes cresçam e se espalhem e isso significa remover o tecido doente e uma parte de tecido saudável, que garanta margem de segurança.
Se o tumor está num braço ou perna quase sempre é possível remover o câncer sem necessidade de amputação desses membros. O osso retirado durante a cirurgia é substituído por um enxerto de osso ou pelo implante de prótese interna, a endoprótese. Nos casos em que isso não é possível, o paciente precisará de cirurgia reconstrutora e prótese. Nos dois casos, o paciente vai precisar de reabilitação.

A quimioterapia pode ser uma opção de tratamento para osteosarcomas e sarcoma de Ewing. Nos osteosarcomas ela é usada como neoadjuvante, isto é, antes da cirurgia para reduzir o tumor e facilitar sua remoção, e depois para destruir células cancerosas remanescentes. A quimioterapia também é empregada para casos de metástases de tumores ósseos para o pulmão ou outros órgãos.
Tumores ósseos não costumam ser sensíveis à radioterapia, mas ela pode ser indicada quando o tumor não pode ser operado ou se há células cancerosas após a cirurgia. Ela também pode aliviar sintomas em caso de recidiva (volta da doença).

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. O sistema usado no estadiamento do câncer ósseo é o American Joint Comissiono n Cancer (AJCC) que usa uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 3 e mais a letra S para indicar o grau do tumor. Todos esses indicadores são agrupados posteriormente.


Estágios T

  • TX: tumor não pode ser medido
  • T0: não há evidência de tumor
  • T1: o tumor tem 8 cm ou menos
  • T2: o tumor tem mais de 8 cm
  • T3: o tumor está presente em mais de um local no osso


Estágios N

  • N0: o câncer não atingiu os gânglios linfáticos próximos ao tumor
  • N1: o câncer atingiu os gânglios linfáticos próximos


Estágios M

  • M0: O câncer não se espalhou para além do osso ou gânglios linfáticos próximos
  • M1: há metástases distantes (p câncer se disseminou)
  • M1a: o câncer se espalhou apenas para o pulmão
  • M1b: o câncer se espalhou para outros locais (cérebro, fígado, etc)

Graus

  • G1-G2: baixo grau
  • G3-G4: alto grau

Agrupamento de estágios
Depois que estágios T, N e M são estabelecidos e o grau do tumor é determinado, a informação é combinada e expressa num estágio.

Estágio I: todos os tumores deste estágio são de baixo grau e não se disseminaram
Estágio IA: o tumor tem 8 cm ou menos
Estágio IB: o tumor ou tem mais de 8 cm ou está presente em mais de um local no osso

Estágio II: nenhum dos tumores deste estágio se disseminaram, mas todos são de alto grau
Estágio 2A: o tumor tem 8 cm ou menos
Estágio 2B: o tumor tem mais de 8 cm

Estágio III: nenhum tumor deste estágio se disseminou, mas estão em mais de um local do osso e são de alto grau

Estágio IV: os tumores deste estágio se disseminaram e podem ser tanto de baixo como de alto grau
Estágio 4A: o tumor atingiu o pulmão
Estágio 4B: o tumor atingiu os gânglios linfáticos próximos ou órgãos distantes que não o pulmão ou ambos