Tipos de Câncer

Mieloma Múltiplo
Mieloma Múltiplo

O mieloma múltiplo é o câncer de um tipo de células da medula óssea chamadas de plasmócitos, responsável pela produção de anticorpos que combatem vírus e bactérias. No mieloma múltiplo, os plasmócitos são anormais e se multiplicam rapidamente, comprometendo a produção das outras células do sangue. Por isso, os pacientes podem ter anemia e ficam sujeitos a infecções. Os plasmócitos cancerosos também produzem uma proteína anormal, chamada de proteína monoclonal, que se acumulam no sangue e na urina. As células doentes também podem afetar os ossos, causando dores e fraturas espontâneas. 

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas não quer dizer que você vai ter Mieloma Múltiplo.

Não se sabe ainda o que causa o mieloma múltiplo e, portanto, não existem formas de prevenção da doença. Valem, assim, as recomendações de uma vida saudável, com alimentação rica em verduras, legumes e frutas, pouca carne vermelha, não fumar, praticar exercícios regularmente e não abusar de álcool.

Idade: a maioria dos pacientes tem mais de 65 anos.

Sexo: os casos de mieloma múltiplo são um pouco mais frequentes em homens do que em mulheres.

O mieloma múltiplo não costuma apresentar sintomas em seus estágios iniciais, o que dificulta seu diagnóstico nessa fase.

Fraturas: as células do mieloma produzem substâncias chamadas citocinas que podem fazer com que algumas células dos ossos, os osteoclastos, destruam o tecido ósseo ao seu redor. Quando 30% do osso são destruídos, ele aparece mais fino aos raios-X (osteoporose) ou como buracos negros (lesões líticas). Mais frágil, essa parte do osso pode se partir causando fraturas espontâneas ou com mínimo esforço.

Dor nos ossos: especialmente na lombar, nas costelas ou quadris e que piora com o movimento.

Fadiga ou cansaço: causados por anemia.

Infecções: como as células do mieloma superam as células do sistema imune que combatem vírus e bactérias, os pacientes correm maior risco de sofrer infecções. Pneumonia, infecção renais e da bexiga, além de sinusite e infecções da pele são as mais comuns.

Redução do volume da urina: provocada por insuficiência renal, já que as proteínas anormais produzidas pelo câncer em grande quantidade se acumulam nos rins.

No caso do mieloma múltiplo, exames específicos de sangue e de urina são usados tanto para diagnóstico, como para estadiamento e acompanhamento do tratamento. Eles avaliam níveis de cálcio e alterações nas proteínas monoclonais produzidas pelos plasmócitos doentes no sangue e na urina. A punção de medula também deve ser pedida e, como o mieloma múltiplo pode causar tumores nos ossos ou nos tecidos moles ao redor deles, uma biópsia desses tumores também pode ser necessária.

A avaliação por exames por imagem também integra a lista de procedimentos para diagnóstico deste tipo de câncer, entre eles raios-X, densitometria óssea, ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) e tomografia.

Algumas vezes, o paciente de mieloma múltiplo é apenas acompanhado, sem fazer tratamento. Os tratamentos disponíveis atualmente não curam a doença, mas permitem que o paciente tenha saúde e qualidade de vida por longos períodos. Além disso, há várias pesquisas em andamento em busca de medicamentos mais eficazes e específicos para o tratamento do mieloma múltiplo. A escolha do tratamento depende de vários fatores, entre eles se o paciente tem sintomas ou não, sua idade e se ele é portador de outras doenças, como diabetes ou problemas cardíacos.

Entre as opções terapêuticas estão a quimioterapia e na quimioterapia seguida de transplante de medula. Imunomoduladores, como a talidomida, também podem fazer parte da terapia, bem como anticorpos monoclonais, medicamentos que funcionam como um míssil teleguiado tendo como alvo uma proteína específica presente na superfície da célula.

A radioterapia é usada em pacientes com mieloma múltiplo que têm dor nos ossos ou que tiveram ossos danificados pela doença.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos próximos ou distantes (metástase). O estadiamento do mieloma múltiplo utiliza o Sistema de Estadiamento Internacional Revisado (RISS), que se baseia na quantidade de albumina, de microgobulina beta-2 e de uma enzima chamada lactato dehidrogenase (LDH) no sangue e de citogenética, um exame que identifica defeitos nos cromossomos. Nessa classificação, o mieloma múltiplo tem três estágios, do inicial (I) ao mais avançado (III):

Estágio I:

  • Microglobulina beta-2
  • Albumina ≥ 3.5 g/dL
  • LDH
  • Citogenética

Estágio II: Fora dos critérios dos estágios I e III

Estágio III:

  • Microglobulina beta-2 ≥ 5.5 mg/L
  • LDH elevado e/ou
  • Citogenética de alto risco