Tipos de Câncer

Laringe
Laringe

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o País deve ter em 2018, 7.670 novos casos de câncer de laringe, sendo 6.390 em homens e 1.280 em mulheres. A laringe é o órgão da voz e fica entre a base da língua e a traqueia, que é onde estão as cordas vocais. Além disso, é a laringe que protege brônquios e pulmões de partículas de alimentos durante a deglutição. Nos termos mais precisos dos médicos, a laringe se divide em: supraglote, que fica acima das cordas vocais e contém a epiglote, que fecha a laringe quando engolimos alguma coisa e manda a comida para o esôfago, impedindo que vá para os pulmões; glote, onde estão as cordas vocais; e subglote, que fica abaixo delas. Por isso, um tumor da laringe pode afetar a voz, a deglutição ou a respiração.  
Praticamente todos os cânceres de laringe aparecem nas células escamosas, que revestem o interior do órgão e costumam ser os chamados carcinomas de células escamosas ou espinocelulares. Diversas doenças podem estar relacionadas a células anormais, e a maioria não são cancerosas. Como, por exemplo, a displasia. Na maioria das vezes ela não se transforma em câncer e pode até mesmo desaparecer sem tratamento se o agente que a causa, geralmente o fumo, é eliminado.  
Essas lesões não costumam causar problemas, a não ser quando ocorrem nas cordas vocais. Quando diagnosticado e tratado em fase inicial, o câncer de laringe pode chegar a 90% de chance de cura. 

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas não quer dizer que você vai ter câncer de laringe.

Fumo: O fumo é o principal fator de risco para o câncer de laringe.

Álcool: Sozinho, o consumo de bebidas alcoólicas já é um fator de risco importante. Combinado com o fumo, o risco se multiplica e, no caso do câncer de laringe, quem fuma e bebe tem risco 140 vezes maior que pessoas que não fumam e não bebem. Essa combinação aumenta bastante o risco para vários tipos de câncer.

Idade: O risco aumenta com a idade e a maioria dos pacientes tem mais de 65 anos.

Sexo: A maioria dos pacientes são homens.

Sexo oral e HPV: O papilomavírus humano (HPV) causa 90% dos casos de câncer de útero, mas também tem sido encontrado em outros cânceres de cabeça e pescoço. Isso vem fazendo com que os pacientes sejam mais jovens. Há vacinas para prevenir a infecção por HPV, disponíveis tanto na rede pública como na privada, para meninos e meninas e adolescentes que ainda não têm vida sexual ativa.

Refluxo gastroesofágico: A doença do refluxo faz com que o ácido do estômago suba para o esôfago, causando azia, tosse crônica, laringite, rouquidão e pigarro. O refluxo está associado ao câncer de esôfago, mas também ao de laringe.

Rouquidão e mudança de voz, que persistem por mais de 15 dias são os principais sinais do câncer de laringe que atinge as cordas vocais. É por isso que ele costuma ser diagnosticado precocemente. Os cânceres de laringe que não começam nas cordas vocais só causam rouquidão em estágio mais avançado ou quando atingiram as cordas vocais. Por causa disso, algumas vezes eles só são diagnosticados quando já se disseminaram para os gânglios linfáticos e a pessoa percebe um caroço no pescoço. Para esses tipos de câncer os sintomas podem ser:

  • Irritação da garganta que não passa
  • Tosse constante
  • Dor ou dificuldade para engolir
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de peso inexplicável
  • Aparecimento de nódulo no pescoço

Importante destacar que esses sintomas não são específicos desses dois tipos de câncer de laringe, mas que podem ser causados por uma série de doenças.

Quando o médico suspeita de um câncer de laringe, ele pede uma laringoscopia, que pode ser direta ou indireta. O laringoscópio é um tubo flexível, com fibra óptica, que é introduzido pelo nariz ou boca e que permite não apenas visualizar a laringe, mas também obter amostra de tecido para biópsia. Na laringoscopia indireta, o médico usa um espelho que permite ver a laringe.
Os exames por imagem podem incluir tomografia, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), ressonância magnética e raios-X de tórax.

Cirurgia, radioterapia e quimioterapia podem ser usadas, isoladamente ou combinadas, no tratamento do câncer de laringe, dependendo da extensão do tumor e do estado geral de saúde do paciente. A cirurgia endoscópica pode ser usada para remover pequenos tumores a laser.
A cordectomia remove todas ou parte das cordas vocais e pode ser usada para tratar tumores bem pequenos ou superficiais das cordas vocais. A remoção de uma corda vocal causa rouquidão, mas a de ambas impossibilita a fala normal. A laringectomia é a remoção total ou parcial da laringe, esta última reservada aos cânceres bem pequenos. Existem vários tipos de laringectomia e dependendo da localização do tumor o paciente pode perder a voz, ficar rouco ou preservar a fala.
Muitas vezes, o câncer atinge os gânglios linfáticos do pescoço e, dependendo da localização e do estágio da doença pode ser preciso remover esses nódulos através de uma cirurgia chamada esvaziamento cervical ou dissecção de pescoço. A extensão da cirurgia vai depender do tamanho do tumor primário e do quanto se disseminou para os gânglios linfáticos.

Por causa da localização do câncer, uma traqueostomia pode ser necessária para que o paciente respire com mais conforto. Se um grande inchaço é esperado após a extração do tumor, o médico pode optar por uma traqueostomia temporária, para que o paciente respire melhor até que o inchaço desapareça. Como esse tipo de câncer muitas vezes dificulta a alimentação, pode ser preciso colocar um tubo através da pele e músculos do abdômen levando água, alimentos e medicamentos diretamente ao estômago. Se o problema de deglutição for temporário, o médico pode optar pela colocação de uma sonda nasogástrica, que entra pelo nariz, passa pelo esôfago até atingir o estômago. A equipe médica vai ensinar ao paciente e sua família como lidar com os tubos.
A radioterapia também integra o tratamento do câncer de laringe, inclusive como primeiro tratamento em tumores de estádio bem inicial. O mais comum é que ela seja utilizada como adjuvante no pós-cirúrgico, destruindo células cancerosas que podem ter permanecido no local. Ela também pode ser usada em pacientes muito debilitados para serem submetidos a cirurgia e nas recidivas, isto é, quanto o câncer volta depois do tratamento. A radioterapia ainda entra na lista de procedimentos usados nos chamados cuidados paliativos, reduzindo dores, sangramentos, dificuldade para engolir e problemas que ocorrem quando o câncer se espalha pelos ossos. A radioterapia na região de cabeça e pescoço pode afetar dentes e gengivas e, por isso, recomenda-se que o paciente consulte antes um dentista especializado, que assegure que está tudo bem com sua saúde bucal, e acompanhe o tratamento.
A quimioterapia, sozinha ou junto com a radioterapia, também é recomendada para alguns casos.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.

Pacientes que se submetem a laringectomia ou faringectomia costumam perder a capacidade de falar normalmente e mesmo cirurgias menos extensas podem comprometer a fala. O ideal é recorrer a profissionais especializados na área de fonoaudiologia. Aqui no A.C.Camargo Cancer Center temos um serviço de fonoaudiologia com uma equipe especializada que atua justamente para identificar, prevenir e avaliar esses problemas, além de oferecer ao paciente a melhor forma de reabilitação, sempre buscando fazer com que o paciente volte a se alimentar pela boca (e não mais por sonda), volte a falar bem e ser bem compreendido (um desafio para aqueles que tiveram a retirada total da laringe, por exemplo), possibilitando sua reintegração ao ambiente social e profissional.