Tipos de Câncer

Garganta
Garganta

O câncer orofaríngeo é o que se desenvolve na parte da garganta que fica logo atrás da boca, que os médicos chamam de orofaringe. Ela inclui a base da língua (a parte posterior da língua), o palato mole, as amígdalas e os pilares e as paredes laterais e posterior da garganta. Como a boca, a garganta participa da respiração, fala, alimentação, mastigação e deglutição e contém vários tipos de células e tecidos e diferentes tipos de tumores podem se desenvolver a partir de cada tipo de célula. Mais de 90% dos cânceres de boca e garganta são carcinomas de células escamosas, também chamados de carcinomas espinocelulares ou ainda carcinomas epidermoides. Células escamosas são achatadas que revestem a garganta.
O carcinoma espinocelular começa como um conjunto de células anormais e sua forma inicial é chamada de carcinoma in situ, ou seja, que só está presente nas células da camada de revestimento, chamada de epitélio. Um carcinoma espinocelular invasivo significa que as células do câncer penetraram em camadas mais profundas da orofaringe. 
Pacientes recém-diagnosticados podem apresentar outro tumor em áreas próximas como a laringe, o esôfago (que liga a garganta ao estômago) ou pulmão. Daqueles curados do câncer de garganta, entre 10% e 40% podem desenvolver outro câncer num desses órgãos ou um segundo câncer da garganta mais tarde. Por essa razão, é importante que esses pacientes sejam acompanhados pelo resto da vida e evitem o cigarro e a bebida, que aumentam o risco desses outros cânceres. 

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas não quer dizer que você vai ter câncer de garganta.

Fumo: o fumo ainda é o principal fator de risco para o câncer de garganta.

Álcool: sozinho, o consumo de bebidas alcoólicas já é um fator de risco importante, particularmente entre os chamados bebedores pesados. Combinado com o fumo, o risco se multiplica. Essa combinação é muito perigosa.

Idade: o risco aumenta com a idade e metade dos pacientes tem mais de 65 anos.

Sexo: a maioria dos pacientes são homens.

Sexo oral e HPV: o papilomavírus humano (HPV) causa 90% dos casos de câncer de útero, mas tem sido encontrado em outros cânceres de cabeça e pescoço. Isso vem fazendo com que os pacientes sejam mais jovens. Há vacinas para prevenir a infecção por HPV, disponíveis tanto na rede pública como na privada, para meninos e meninas e adolescentes que ainda não têm vida sexual ativa.

Produtos químicos: a exposição a substâncias como níquel, amianto e gases de ácido sulfúrico também aumento o risco de câncer de garganta.

Os sintomas de câncer de garganta variam de pessoa para pessoa e estes costumam ser os sintomas iniciais da doença.

  • Rouquidão ou outras mudanças na voz
  • Dificuldade para engolir ou sensação de que alguma coisa está presa na garganta
  • Irritação da garganta que não passa
  • Dor de ouvido
  • Caroço no pescoço
  • Tosse
  • Dificuldade para respirar
  • Perda de peso inexplicável

Em caso de suspeita de câncer de garganta, a primeira coisa a fazer é procurar um otorrinolaringologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço, que vai perguntar sobre sua saúde, estilo de vida, inclusive sobre os hábitos de beber e fumar, histórico sexual e sua história médica familiar. Os exames para diagnosticar o câncer de garganta e se ele se espalhou vão depender do tipo de câncer.
A biópsia convencional, em que o cirurgião remove parte ou todo o tecido suspeito, é o tipo mais usado neste tipo de câncer. A biópsia com punção e aspiração por agulha fina (PAAF), realizada em ambulatório com anestesia local, é a opção quando há um nódulo no pescoço que pode ser sentido. A amostra é então analisada pelo patologista. A endoscopia, através da boca, nariz ou incisão, pode ser usada não apenas para visualizar órgãos internos, mas também para remover amostras de tecido para exame.
Os exames por imagem podem incluir tomografia, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), raios-X, inclusive dentários e série do trato gastrointestinal superior com contraste de bário para avaliar deglutição.

As opções de tratamento para pacientes com câncer de boca são cirurgia e radioterapia, sozinhas ou combinadas entre si ou com quimioterapia, dependendo do estádio do tumor. O médico vai discutir as diversas alternativas com o paciente, que deve levar em consideração seu estado geral de saúde, o tipo e estágio do tumor, as chances de cura e o impacto do tratamento na fala, mastigação e deglutição. Estamos de portas abertas para quem quer ter uma segunda opinião, uma forma de obter mais informações e ter segurança na escolha do tratamento.
O desenvolvimento das cirurgias robóticas mudou bastante o cenário do tratamento do câncer de garganta. Elas são menos invasivas, mais precisas, aceleram a recuperação do paciente e praticamente não causam alterações na fala e deglutição. No A.C.Camargo Cancer Center, a cirurgia robótica é padrão para o câncer de orofaringe, evitando que outras estruturas necessárias para a fala e deglutição sejam afetadas. Somos pioneiros na América Latina e referência no uso da cirurgia robótica.
Muitas vezes, o câncer de garganta atinge os gânglios linfáticos do pescoço e, dependendo da localização e estágio da doença pode ser preciso remover esses nódulos através de uma cirurgia chamada esvaziamento cervical ou dissecção de pescoço. A extensão da cirurgia vai depender do tamanho do tumor primário e do quanto se disseminou para os gânglios linfáticos. Esse procedimento também pode ser realizado por cirurgia robótica em casos selecionados. Os efeitos mais comuns de qualquer dissecção de pescoço são dormência da orelha (causada por ressecção do nervo grande auricular) e fraqueza ao erguer o braço acima da cabeça (causada por ressecção do nervo espinhal acessório). Na dissecção seletiva, a fraqueza do braço geralmente desaparece depois de alguns meses, mas se algum nervo é retirado como parte da dissecção radical ou por envolvimento de tumor, a fraqueza será permanente.

A fisioterapia melhora bastante a movimentação do pescoço e ombros após qualquer dissecção de pescoço. Quando a quantidade de tecido sadio retirada com o tumor é pequena, geralmente não há necessidade de reconstrução. Mas a cirurgia reconstrutora pode ser necessária para reparar a região da garganta e pescoço após a remoção de tumores maiores. As cirurgias reconstrutivas são planejadas em conjunto com a equipe que realiza os procedimentos para tratamento, otimizando os resultados de ambos os procedimentos.
Se o câncer bloqueia a garganta e é grande demais para ser retirado, uma traqueostomia vai permitir que o paciente respire com mais conforto. Se um grande inchaço é esperado após a extração do tumor, o médico pode optar por uma traqueostomia temporária, para que o paciente respire melhor até que o inchaço desapareça.
Como o câncer de garganta às vezes dificulta a alimentação, pode ser preciso colocar um tubo através da pele e músculos do abdome levando água, alimentos e medicamentos diretamente ao estômago. Se o problema de deglutição for temporário, o médico pode optar pela colocação de uma sonda nasogástrica, que entra pelo nariz, passa pelo esôfago até atingir o estômago. A equipe médica vai ensinar ao paciente e sua família como lidar com os tubos.

A radioterapia pode ser utilizada no tratamento do câncer de garganta, tanto para eliminar eventuais depósitos de células cancerosas que não podem ser vistas ou retiradas na cirurgia como para aliviar sintomas como dor, sangramentos, dificuldades para engolir e problemas causados por metástases ósseas. A radioterapia utiliza uma fonte externa, a convencional, mas de alta precisão, com dosagem e posicionamento calculados por computador. São cinco sessões semanais ao longo de um período que varia de cinco a sete semanas.
A quimioterapia é o uso de drogas anticâncer, por via oral ou injetadas, que caem na corrente sanguínea e podem alcançar células cancerosas que atingiram órgãos distantes da cabeça e pescoço. Às vezes, ela é utilizada para reduzir o tumor antes da cirurgia ou radioterapia, na chamada quimioterapia neoadjuvante, e também como tratamento paliativo dos casos de câncer de cabeça e pescoço grandes demais para serem inteiramente removidos ou ainda para tumores que não são controlados por radioterapia. Além disso, a quimioterapia é usada junto com a radioterapia para reduzir tumores que não podem ser removidos cirurgicamente ou em casos específicos em que esta combinação oferece as mesmas possibilidades de cura que o tratamento convencional de cirurgia e radioterapia.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.