Tipos de Câncer

Endométrio
Endométrio

O endométrio é o tecido que reveste o interior do útero, que se divide em duas partes, a cérvix, ou colo do útero e o corpo do útero, a parte de cima, oca, onde o feto se desenvolve durante a gravidez. O corpo do útero tem duas camadas, a interna ou endométrio e a externa, ou miométrio, uma camada de músculos que ajuda a expulsar o bebê na hora do parto. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que este ano o País vai registrar 6.600 novos casos de câncer de endométrio.

O câncer de útero mais comum é o carcinoma de endométrio, que tem vários tipos, de acordo com sua origem, epidemiologia e prognóstico. O mais comum é o adenocarcinoma de origem endometrioide, que surge em células glandulares muito parecidas com as células do endométrio. Há vários subtipos desse tipo de câncer, mas a maioria tem baixa malignidade e estão associados ao excesso de estrogênio. No entanto, três desses subtipos – carcinoma de células claras, carcinoma mucinoso e adenocarcinoma papilífero seroso – têm alto grau de malignidade, atingem mulheres de idade bem mais avançada e costumam se disseminar para outros órgãos antes do diagnóstico. Esta página trata apenas do tipo endometrioide.
 

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas não quer dizer que você vai ter câncer de endométrio.

Idade: geralmente ocorre em mulheres na pós-menopausa: 20% dos casos são diagnosticados em mulheres entre 40 e 50 anos e 5% abaixo dos 40 anos).

Estrogênio: terapia de reposição hormonal, menarca (primeira menstruação) precoce e menopausa tardia, uso de pílula anticoncepcional, nunca ter tido filhos.

Hiperplasia atípica: que é o espessamento do endométrio causado por exposição ao estrogênio e presente em mulheres que não ovulam todos os meses. Em 8% dos casos, essa condição se transforma em câncer.

Síndrome do ovário policístico

Obesidade

Pressão alta

Diabetes

Câncer prévio: câncer de mama ou ovário e tratamento com tamoxifeno ou radioterapia na região pélvica.

Histórico familiar: mulheres com síndrome de lynch ou com câncer colorretal hereditário não poliposo (hnpcc) também correm maior risco de desenvolver câncer de endométrio.

O câncer de endométrio apresenta poucos sintomas, mas todos eles merecem uma visita ao ginecologista.

  • Sangramento anormal: 90% das mulheres com câncer de endométrio têm sangramento vaginal anormal, após a menopausa ou entre períodos menstruais. Entre 5% e 20% das mulheres na pós-menopausa com esse sintoma têm câncer de endométrio. Isso pode indicar uma série de outras doenças, mas é preciso consultar um especialista para saber a causa
  • Dor na pelve
  • Sentir uma massa nessa região
  • Perda de peso inexplicável

A ultrassonografia transvaginal geralmente é o primeiro exame pedido em caso de suspeita de câncer de endométrio. O médico também pode pedir uma ultrassonografia da pelve.
A confirmação ou não de um câncer é feita por meio de biópsia (link para biópsia), que pode ser feita no consultório do ginecologista por meio de aspiração da amostra, histeroscopia, que é feita com anestesia local, ou curetagem. Essas amostras são então analisadas e o laboratório informa se é câncer ou não, de que tipo de câncer se trata e seu grau. O grau, que vai de 1 a 3, indica a semelhança das células cancerosas com as células normais: quanto mais baixo o grau, menor o risco de a mulher ter a doença avançada ou recidivas.
Raios-X de tórax, tomografia, ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) são os exames por imagens usados para verificar se o tumor se disseminou para outros órgãos.

A cirurgia é o tratamento-padrão para o câncer de endométrio, consistindo em histerectomia (remoção do útero), geralmente acompanhada por retirada das trompas e ovários (salpingo-ooforectomia bilateral) e dos gânglios linfáticos da pelve e retroperitônio. O procedimento pode ser feito com técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica. Dependendo do tipo de câncer e de seu estadiamento, quimioterapia e radioterapia também podem ser usadas no tratamento.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.
No caso do câncer de endométrio, o estadiamento usa também o estágio patológico, também chamado de estágio cirúrgico, que é determinado por meio da análise do tecido removido durante a cirurgia. O sistema usado atualmente para estadiamento desse tipo de câncer é ado American Joint Committee on Cancer (AJCC) e entrou em vigor em janeiro de 2018.

Estágio 1: T1, N0, M0 o câncer está no corpo do útero e pode estar presente nas células glandulares do colo do útero, mas não no tecido conectivo (de sustentação) do colo do útero (T1). O tumor não atingiu os gânglios linfáticos próximos (N0) ou órgãos distantes (M0)
Estágio 1A: T1a, N0, M0 o câncer está no endométrio e pode estar em menos da metade da camada muscular do útero, o miométrio (T1a). O tumor não atingiu os gânglios linfáticos próximos (N0) ou órgãos distantes (M0)
Estágio 1B: T1b, N0, M0 o câncer avançou do endométrio para o miométrio e está em mais da metade da camada muscular, mas continua restrito ao corpo do útero (T1b). O tumor não atingiu os gânglios linfáticos próximos (N0) ou órgãos distantes (M0)

Estágio 2: T2, N0, M0 O câncer está crescendo em direção ao tecido conectivo de sustentação do colo do útero, chamado de estroma cervical. O câncer não se disseminou para fora do útero (T2). O tumor não atingiu os gânglios linfáticos próximos (N0) ou órgãos distantes (M0)

Estágio 3: T3, N0, M0 O câncer se disseminou para fora do útero, mas não atingiu o revestimento interno do reto ou da bexiga (T3). O tumor não atingiu os gânglios linfáticos próximos (N0) ou órgãos distantes (M0)
Estágio 3A: T3a, N0, M0 O câncer atingiu a superfície externa do útero, chamada de serosa, e/ou as trompas de Falópio ou os ovários (T3a). O tumor não atingiu os gânglios linfáticos próximos (N0) ou órgãos distantes (M0)
Estágio 3B: T3b, N0, M0 O câncer atingiu a vagina ou os tecidos ao redor do útero, po paramétrio (T3b). O tumor não atingiu os gânglios linfáticos próximos (N0) ou órgãos distantes (M0)
Estágio 3C1: T1 a T3, N1, N1mi ou N1a, M0 o câncer se desenvolve no corpo do útero, pode ter atingido alguns tecidos próximos, mas não atingiu o interior do reto ou da bexiga (T1 a T3). O câncer atingiu os gânglios linfáticos da pelve (N1, N1mi ou N1a), mas não os gânglios linfáticos em torno da aorta ou órgãos distantes (M0).
Estágio 3C2: T1 a T3, N2, N2mi ou N2a, M0 o câncer se desenvolve no corpo do útero, pode ter atingido alguns tecidos próximos, mas não atingiu o interior do reto ou da bexiga (T1 a T3). O câncer atingiu os gânglios linfáticos ao redor da aorta (N2, N2mi ou N2a), mas não órgãos distantes (M0)

Estágio 4A: T4. qualquer N, M0 o câncer atingiu o revestimento interno (mucosa) do reto ou da bexiga (T4). Ele pode ou não ter atingido os gânglios linfáticos próximos (qualquer N), mas não atingiu órgãos distantes (M0).
Estágio 4B: Qualquer T, qualquer N, M1 o câncer atingiu os gânglios linfáticos da virilha, o trato digestivo alto, o omento (camadas do peritônio que ligam os órgãos abdominais) ou órgãos distantes do útero como fígado, pulmões ou ossos (M1). O tumor pode ter qualquer tamanho (qualquer T) e pode ou não ter atingido outros gânglios linfáticos (qualquer N).