Tipos de Câncer

Cólon
Cólon

O câncer de cólon e reto (ou colorretal) é o segundo mais frequente entre as mulheres e o terceiro mais comum entre os homens no Brasil, descontando-se o câncer de pele não melanoma. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), para este ano são esperados 36.360 novos casos, dos quais 18.980 em mulheres e 17.380 em homens. 
O intestino grosso é a parte final do tubo digestivo, entre o intestino delgado e o ânus e é dividido em cólon e reto. O cólon, por sua vez, divide-se em: cólon ascendente, que inclui o ceco e se localiza na parte direita do abdome; cólon transverso, que atravessa a parte superior do abdome da direita para esquerda; cólon descendente, que fica na parte esquerda do abdome; e cólon sigmoide, que tem forma de S e se conecta ao reto, na parte inferior esquerda do abdome. O reto localiza-se na cavidade pélvica, na parte inferior do tronco, e sua porção final se conecta ao ânus, por onde saem as fezes. 
Sua principal função é extrair água e sais minerais dos alimentos digeridos, de forma que o conteúdo fecal se torna mais pastoso e sólido à medida que é conduzido ao longo do cólon. Além disso, ele absorve as vitaminas K, B1 (tiamina) e B2 (riboflavina) que são produzidas pelas mais de 700 espécies de bactérias que vivem nele, a chamada flora intestinal.  

O câncer de cólon está intimamente associado a maus hábitos alimentares e, por isso, pode ser prevenido. Uma dieta rica em carnes vermelhas e gorduras e pobre em fibras (verduras, legumes e frutas) está entre as principais causas desse câncer. O câncer de cólon, porém, tem desenvolvimento lento e, além disso, pode ser rastreado, isto é, descoberto precocemente, através de colonoscopias periódicas. Em seus estágios iniciais, o câncer de cólon apresenta 90% de chance de cura. 
Esse câncer tem origem na mucosa que reveste o intestino, é chamado de adenocarcinoma e pode levar anos para se formar. A maioria dos carcinomas de cólon tem origem em pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos que, apesar de benignos, são precursores do câncer. É por isso que os pólipos removidos durante uma colonoscopia são habitualmente enviados para biópsia.  

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas não quer dizer que você vai ter câncer de cólon. A prevenção está associada à alimentação saudável e a hábitos de vida adequados.

Alimentação: dietas ricas em carnes vermelhas, carnes processadas e carnes expostas a calor intenso, como nos churrascos, encabeçam a lista dos fatores de risco, seguidas por uma dieta pobre em fibras (frutas, legumes e verduras).

Sedentarismo: a prática regular de exercícios físicos também ajuda a combater a obesidade, que é outro fator de risco para este tipo de câncer.

Fumo: é um fator de risco sério também para este tipo de câncer.

Álcool: sozinho, o consumo de bebidas alcoólicas já é um fator de risco importante, particularmente entre os chamados bebedores pesados. Combinado com o fumo, o risco se multiplica.

Doenças inflamatórias intestinais: as formas severas dessas doenças são raras, mas como são crônicas podem aumentar o risco de câncer de cólon. Entre elas estão a colite ulcerativa e a doença de Crohn. Portadores dessas doenças precisam ter acompanhamento específico para detecção precoce do câncer.

Síndromes familiais de câncer: algumas famílias têm um histórico de câncer de cólon, com várias pessoas afetadas pela doença e antes dos 50 anos. Nesses casos, é importante consultar um médico e um oncogeneticista para fazer uma avaliação de risco e verificar qual a melhor forma de acompanhamento. Duas síndromes principais afetam o cólon, o câncer colorretal hereditário não poliposo (HNPCC) ou síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familial (FAP).

O câncer do intestino grosso (câncer colorretal) é um dos tipos com maior incidência em todo o mundo, principalmente nas regiões mais desenvolvidas. Em geral, o câncer de cólon não apresenta sintomas em seus estágios iniciais, mas, à medida que progride, pode causar sangramentos e obstruções intestinais. Os sintomas mais comuns são:

  • Presença de sangue nas fezes
  • Dores abdominais
  • Dores ao evacuar
  • Diarreia ou prisão de ventre que não passam
  • Sensação de empachamento
  • Mudanças no apetite
  • Perda de peso inexplicável

No caso do câncer de cólon, o rastreamento em todas as pessoas acima dos 50 anos é fundamental para a detecção precoce da doença, independentemente de apresentarem sintomas ou não. No entanto, pacientes mais jovens, com histórico familiar de câncer, também devem ser avaliados. A colonoscopia é o principal exame para o rastreamento do câncer colorretal.
Imediatamente após o diagnóstico de câncer de cólon, o próximo passo é a realização de exames para estadiamento da doença, para identificar a sua extensão. Nesses casos, estão incluídos os exames físicos, laboratoriais, e de imagem, como radiografias, tomografias, ressonância magnética e, algumas vezes, o PET-CT.

O tratamento do câncer de cólon envolve cirurgia e quimioterapia. A cirurgia é necessária em praticamente todos os casos e pode ser a única forma de tratamento nas fases muito iniciais, porém, nem sempre é a primeira. A sequência correta é baseada na localização do tumor e no estadiamento e deve ser muito bem planejada por uma equipe experiente. A cirurgia se baseia na remoção da parte doente do intestino grosso, com margens de segurança, incluindo os gânglios linfáticos da região. Atualmente, muitas cirurgias para tratamento de câncer de cólon são realizadas por videolaparoscopia, técnica que permite incisões menores e recuperação mais rápida.
O câncer de cólon pode ser tratado apenas com cirurgia ou com cirurgia e quimioterapia, antes ou depois do procedimento cirúrgico. A quimioterapia pode ser usada antes da cirurgia, na chamada terapia neoadjuvante, para reduzir o tumor e facilitar o ato cirúrgico ou depois, como terapia adjuvante, para eliminar possíveis células cancerosas que estejam no organismo.

No A.C.Camargo Cancer Center, os pacientes de câncer de cólon podem fazer também a chamada biópsia líquida, um exame de sangue em que se busca a presença de células cancerosas na circulação sanguínea ou fragmentos de DNA tumoral. Essa técnica pode permitir a detecção precoce do câncer e, principalmente, verificar o andamento do tratamento. Além disso, permite que, ao longo do tratamento, os médicos identifiquem alterações que estão ocorrendo no tumor em nível molecular e possam modificar ou não a terapia.

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se ou quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.