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Estudo do A.C.Camargo Cancer Center sugere quais pacientes com câncer de colo do útero podem se beneficiar de cirurgia menos radical
Estudo do A.C.Camargo Cancer Center sugere quais pacientes com câncer de colo do útero podem se beneficiar de cirurgia menos radical


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Estudo do A.C.Camargo Cancer Center sugere quais pacientes com câncer de colo do útero podem se beneficiar de cirurgia menos radical

Publicado como editorial principal da edição de julho da Ginecology Oncology, estudo detalha o perfil clínico das pacientes que não precisariam retirar o paramétrio e nervos da região, diminuindo assim o risco de morbidades como retenção de urina ou urgência para urinar, perda de lubrificação vaginal e alterações no funcionamento do intestino

Um estudo publicado por cirurgiões oncologistas, oncologistas clínicos e patologistas do A.C.Camargo Cancer Center identifica o grupo de pacientes com diagnóstico de câncer de colo do útero que poderia se beneficiar de uma cirurgia preservadora de nervos ou da não remoção do paramétrio, tecido que sustenta o útero na bacia. A preservação reduz o risco de morbidades como retenção de urina ou urgência para urinar, perda de lubrificação vaginal e alterações no funcionamento do intestino.

Primeira do gênero a ser realizada em um país em desenvolvimento, a pesquisa foi publicada como editorial principal da edição de julho da Gynecology Oncology, a mais importante revista científica do mundo na área. O estudo envolveu 345 pacientes operadas entre janeiro de 1990 e outubro de 2016 e mostrou que as mulheres com tumores de até 2 cm, sem comprometimento dos gânglios linfáticos e sem invasão vascular linfática, uma característica determinada por análise microscópica, têm risco praticamente zero de comprometimento do paramétrio pelo tumor.

Dentre as pacientes participantes do estudo, quase 30% apresentaram essa condição clínica que poderá significar, conforme novos estudos reforcem essa evidência, uma cirurgia bem mais simples, com melhor qualidade de vida. "Ainda não é o momento de se oferecer às pacientes esta opção, mas há, assim como esse, vários outros estudos em andamento. Acredito que é apenas uma questão de tempo para que se tenha um novo paradigma no tratamento cirúrgico do câncer de colo de útero em estágios iniciais", vislumbra o cirurgião oncologista, diretor do Departamento de Ginecologia do A.C.Camargo Cancer Center e autor correspondente do estudo, Glauco Baiocchi Neto.

 

O NOVO PARADIGMA
O tratamento-padrão adotado hoje para pacientes com câncer de colo do útero com indicação cirúrgica é a histerectomia radical, que consiste na retirada do útero, do colo do útero, da parte superior da vagina, dos linfonodos, inclusive para análise, e do paramétrio, que fica ao lado do colo do útero. A remoção do paramétrio, que é o primeiro tecido para onde o câncer pode se infiltrar, é feita para se ter uma margem de segurança.

O que o trabalho publicado na Gynecology Oncology e outros estudos recentes questionam é se método em pacientes com câncer inicial se faz, de fato, necessário. "A cirurgia tem consequências para qualidade de vida. O ureter, que conecta os rins à bexiga, passa por ali e precisa ser separado para remoção do paramétrio. A área também contém nervos que vão para a bexiga e o reto, o que pode causar retenção de urina ou urgência para urinar, além de perda de lubrificação vaginal e alterações no funcionamento do intestino. Se identificarmos o perfil das pacientes que podem receber uma cirurgia preservadora de nervos ou de não remoção do paramétrio, estaremos poupando-as destas morbidades", afirma Glauco Baiocchi.

Com 16 mil novos casos previstos para 2017, de acordo com o INCA, o câncer de colo do útero é o tumor ginecológico mais comum no país. Em âmbito mundial, segundo o levantamento Globocan 2012, da OMS, a doença é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres, com 528 mil novos casos anuais. Ainda de acordo com a entidade, aproximadamente 85% dos casos ocorre nas regiões menos desenvolvidas.

 

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