Biópsia líquida – células tumorais circulantes
Biópsia líquida – células tumorais circulantes

Highlights

  • Níveis de CTCs podem ser usados para monitorar resposta ao tratamento.
  • A expressão de algumas proteínas nas CTCs pode indicar que o paciente não vai responder a determinado tratamento.
  • Agregados de CTCs encontrados no sangue de pacientes com câncer são indicativos de progressão de doença.

O grupo de Células Tumorais Circulantes (CTCs) vem detectando estas células em sangue de pacientes com diversos tipos de tumores desde 2012. Partem do princípio de que células tumorais desprendem-se do tumor para formar metástases. Nesse sentido, a análise das CTCs pode ser útil para entender mecanismos da doença e para monitorar a resposta ao tratamento quimioterápico, de forma rápida, pouco invasiva e de mais fácil obtenção do que a biópsia, sendo por isso chamada de “biópsia liquida”. CTC é um dos compartimentos da “biópsia líquida”, que também abrange DNA livre circulante e vesículas extracelulares. O grupo que estuda as CTCs tem também observado que estas células podem circular no sangue periférico na forma de agregados de CTCs, fatores relacionados à rápida progressão da doença, como observado em câncer colorretal, sarcoma, câncer de cabeça e pescoço e estômago.

Os resultados da pesquisa das CTCs em diversos tipos de tumores, inclusive em sarcoma, indicam que elas podem ser exploradas como biomarcadores circulantes de resposta à terapia, contudo, estes achados precisam ser validados em estudos de larga escala.

Descrição dos estudos

CTCs como fatores preditivos de resposta

Além de quantificarmos as células tumorais presentes na circulação, podemos avaliar marcadores nestas células que podem indicar que o paciente não vai responder a determinadas terapias. Isto é muito promissor. Considerando o alto custo das drogas antineoplásicas e sua alta toxicidade, saber de antemão que o paciente não vai responder a um tratamento, poupa-o de efeitos indesejados, além de trazer ganho de tempo e de qualidade de vida, pois aumenta a chance de expor o paciente a terapia de fato eficaz.

Temos observado estes marcadores em CTCs de pacientes com câncer colorretal metastático e buscado por marcadores em câncer de cabeça e pescoço avançado, estômago, mama, próstata e sarcoma metastáticos.

CTCs como ferramenta para monitoramento de resposta à terapia

O aumento dos números das CTCs ao longo do tratamento pode ser um indicador de falha de resposta. Pode ser uma ferramenta prática, mais fácil de ser obtida do que os exames de imagem, para indicar se o paciente deve ou não permanecer com determinada terapia.

Temos observado o aumento ou diminuição destas células durante o acompanhamento dos nossos pacientes com câncer de cabeça e pescoço avançado, colorretal metastático, estômago e sarcoma metastático. Nossos resultados têm mostrado que a análise dos números das CTCs pode auxiliar o clínico a prever a falha de resposta ao tratamento precocemente.

Temos visto também a presença de agregados de CTCs, formados além de CTC de outras células sanguíneas como plaquetas e macrófagos, nestes mesmos pacientes, fortemente correlacionados à progressão da doença.

CTCs como elementos para compreensão de metástases

Acredita-se que as CTCs sejam capazes de instalar-se em órgãos distantes, contudo, o mecanismo pelo qual estas células definem o órgão onde vão implantar-se e a forma como fazem esta implantação ainda não são completamente conhecidos. Uma das formas que as CTCs têm de resistir aos ataques das células do sistema imune é circular de forma agregada a outras células hematopoiéticas, como linfócitos, monócitos, neutrófilos e plaquetas. Nosso grupo está estudando estes componentes sanguíneos na tentativa de entender como estas células interagem com as CTCs, facilitando sua sobrevivência e circulação no sangue, assim como sua implantação em sítios distantes.

Alguns marcadores desta interação já foram observados pelo nosso grupo em agregados de CTCs (formados além de CTC de outras células sanguíneas como plaquetas e macrófagos) provenientes de amostras de pacientes com câncer de cabeça e pescoço avançado e sarcoma metastático.
Amostras provenientes de pacientes com outros tumores também estão em avaliação, como: cólon e reto avançados, mama metastático, próstata metastático e pulmão (diversos estádios).

CTCs como ferramenta para entendimento da biologia tumoral

Estamos começando um estudo amplo, com diversos tipos de tumores (cabeça e pescoço, melanoma, rim, cólon e reto, pulmão, mama e sarcoma) para melhor entendimento do papel de cada compartimento da “biópsia líquida” na biologia e progressão dos tumores. Em relação às CTCs, faremos análises de células individuais, para tentar entender a informação que cada célula carrega e o quão útil esta informação pode ser ao clínico no acompanhamento dos nossos pacientes.

Projetos em Andamento

  • “Detection of circulating tumor cells in patients with sarcoma.”
  • “Study of blood components as probable prognostic and predictive markers of response to treatment in colon, rectum and renal cancers.”
  • “Prospective evaluation of correlation between circulating tumor cells and brain disease control after focal stereotactic radiotherapy for encephalic metastases of breast cancer.”
  • “Epidemiology and genomics of gastric adenocarcinomas in Brazil.”


Equipe


Pesquisador responsável: Ludmilla Thomé Domingos Chinen, Ph.D. – http://lattes.cnpq.br/6330786781745018

Alexcia Camila Braun, bióloga, Doutoranda – http://lattes.cnpq.br/3574367911415820

Bianca de Cássia Troncarelli de Campos Parra Flores, bióloga, Doutoranda – http://lattes.cnpq.br/3601049533233749

Douglas de Castro Guedes, médico radiologista, Doutorando – http://lattes.cnpq.br/4096672049068157

Emne Ali Abdallah, bióloga, Doutoranda – http://lattes.cnpq.br/8086508151654692

Milena Tariki, médica oncologista, Doutoranda – http://lattes.cnpq.br/5412251093232519

Solange Moraes Sanches, Doutoranda – http://lattes.cnpq.br/8949671033186267

Thiago Bueno Oliveira, médico oncologista, Doutorando – http://lattes.cnpq.br/4525433183204255

Virgílio Souza e Silva, médico oncologista, Doutorando – http://lattes.cnpq.br/2335953929477835

José Gabriel Rodriguez – http://lattes.cnpq.br/4635808169283672