Cirurgia robótica
Cirurgia robótica

A cirurgia robótica em câncer, técnica na qual o A.C.Camargo Cancer Center é um dos centros pioneiros na América Latina, é um conjunto de procedimentos cirúrgicos realizados por meio de pequenas incisões que, com o uso de microcâmeras de alta definição, propiciam imagens ampliadas das estruturas corpóreas e em três dimensões. A tecnologia propiciada pelo uso do robô está permitindo grandes avanços na Medicina.

Utilizada desde 2013 na Instituição, a cirurgia robótica para o tratamento de câncer deixa cicatrizes menores, reduz mutilações e também as chances de transfusão sanguínea, causa menos dor ao paciente e permite sua alta num tempo menor. Além disso, o paciente volta as suas atividades diárias mais precocemente.

Com mais de dois mil procedimentos realizados em cinco anos, o A.C.Camargo Cancer Center conta com médicos especializados em cirurgia robótica para o tratamento do câncer em ginecologia, urologia, cabeça e pescoço, abdomen, pele, coloproctologia, tórax e pediatria. Estes profissionais, especializados em oncologia, trabalham em associação com os membros de outras especialidades na nossa Instituição, propiciando a integração do paciente nas várias etapas de seu tratamento.

Além disso, como um centro de ensino e pesquisa, o A.C.Camargo Cancer Center é o primeiro centro a ter um programa de treinamento, o fellowship, de cirurgiões em robótica nas especialidades de urologia e cirurgia de cabeça e pescoço. Nosso centro busca ampliar o uso da plataforma nas mais diversas especialidades da cirurgia oncológica.

O robô utilizado conta com quatro braços manipuláveis, em um deles está a câmera e nos demais os instrumentos da cirurgia. O cirurgião pode fazer até cinco pequenos cortes no local a ser operado. A câmera e os instrumentos são colocados por meio das incisões. O cirurgião fica posicionado na unidade de controle e enxerga a área de operação em uma tela que permite uma visão 3D (com noção de profundidade, ao contrário da laparoscopia, que é 2D) que pode ampliar de 10 a 12 vezes a imagem para observar pequenos detalhes. Essa precisão do equipamento transforma qualquer movimento que o cirurgião faça em movimentos muito menores e mais precisos na máquina, reduzindo inclusive tremores. Além disso, o robô reproduz e permite maior amplitude de alguns movimentos das mãos dos cirurgiões.

O câncer abdominal engloba tumores de esôfago, estômago, pâncreas, fígado, vesícula biliar, metástases hepáticas, tumores gastrointestinais, neuroendócrinos, entre outros. No A.C.Camargo Cancer Center, as principais indicações da cirurgia robótica para tumores abdominais são para aqueles localizados no trato digestivo alto, já que a técnica permite dissecções mais precisas e melhor acesso às áreas mais profundas. Um exemplo de cirurgia robótica aplicada à um câncer abdominal é a gastrectomia, técnica cirúrgica que retira parte ou todo o estômago.

A cirurgia robótica traz algumas vantagens para a qualidade de vida do paciente, entre elas menor perda de sangue, diminuindo a necessidade de transfusão durante o procedimento, menos dor no pós-operatório, agilidade na retomada da dieta, como também uma recuperação mais rápida e cicatrizes menores. É importante destacar que o método também permite que o paciente inicie mais rapidamente a quimioterapia ou radioterapia pós-cirurgia.

O A.C.Camargo Cancer Center é um dos pioneiros na América Latina em realizar cirurgias robóticas em casos de câncer da garganta. Nos últimos dois anos tem liderado a expansão desse tipo de cirurgia para outras regiões do pescoço.

A técnica é um avanço para tratamento de tumores nestas regiões, evitando técnicas cirúrgicas mórbidas como a mandibulotomia, procedimento em que a mandíbula é descontinuada para melhor expor a orofaringe. Desta forma, com o apoio de robôs é possível alcançar tumores da faringe e laringe, por exemplo, de forma mais direta e menos invasiva, com melhores resultados para o tratamento.

A cirurgia robótica também pode ser empregada para tumores na região do pescoço, incluindo esvaziamentos cervicais, remoção de tumores de glândulas salivares e tireoidectomias (retirada total da glândula tireoide), sem deixar cicatrizes aparentes na região

O uso da cirurgia robótica para o tratamento do câncer de cólon e reto depende do tamanho, da localização e da propagação do tumor. Geralmente, o uso de robôs é uma escolha para situações de maior complexidade, onde a videolaparoscopia se torna mais difícil, como nos pacientes obesos e com sobrepeso.

A opção do uso do robô na cirurgia para câncer colorretal também pode ser uma alternativa vantajosa nos tumores do reto (mais próximos ao ânus), já que fornece uma melhor precisão técnica, podendo preservar melhor os nervos genitais e urinários.

Tradicionalmente, as cirurgias para tratamento de câncer ginecológico eram realizadas via abdominal, com cortes verticais na região, o que aumentavam os riscos de complicações, o tempo de recuperação do paciente e causavam cicatrizes maiores.

Porém, nas últimas duas décadas este cenário vem se transformando. Cada vez mais são realizadas cirurgias minimamente invasivas, inicialmente com a laparoscopia e mais recentemente com a cirurgia robótica.

Para o paciente, a aplicação deste método causa menos dor e cicatrizes, além de reduzir as taxas de complicações e o tempo de internação. Já para o médico, a cirurgia robótica proporciona algumas vantagens como visão tridimensional de alta definição, câmera fixa, maior mobilidade das pinças e movimentos, maior número de instrumentos sob controle do cirurgia, ausência de tremor nas mãos, entre outros.

Na ginecologia, a cirurgia com a utilização de robôs é aplicada em casos mais complexos como histerectomias (retirada do útero), linfadenectomias (retirada dos gânglios linfáticos) e câncer de endométrio.

Na área da Oncologia Pediatria, o A.C.Camargo Cancer Center também é pioneiro em utilizar a cirurgia robótica. A técnica pode ser utilizada em diversos casos, como na remoção de tumores dos rins, da próstata e outros procedimentos que fazem parte do tratamento de crianças com câncer, com o mesmo sucesso que se consegue em adultos. Além de menor tempo de internação, com o emprego da técnica, são esperados menos efeitos adversos para as crianças.

Atualmente, a Dra. Maria Lúcia Pinho Apezzato, chefe da cirurgia pediátrica do A.C. Camargo Cancer Center, é a única cirurgiã pediátrica habilitada a realizar cirurgias robóticas no Brasil.

No A.C.Camargo Cancer Center, a cirurgia robótica também é utilizada para o tratamento de tumores malignos e benignos do pulmão, do mediastino e da parede torácica. As cirurgias com robô proporcionam ao cirurgião uma melhor visão da área que está sendo operada, além disso os instrumentos robóticos permitem movimentos mais precisos que os utilizados nas cirurgias convencionais (aberta ou por vídeo).

Estas características levam a algumas vantagens da cirurgia robótica, tais como menos dor, menor tempo com dreno, menor tempo de internação, menor perda sanguínea e avaliação mais precisa dos linfonodos mediastinais e do estadiamento do câncer de pulmão.

Há 5 anos, o A.C.Camargo Cancer Center realiza a cirurgia robótica em urologia, somando mais de duas mil cirurgias executadas. O procedimento, que é minimamente invasivo, é bastante difundido na área, principalmente, para tratar tumores de próstata e tumores de rim.

Quando diagnosticado em sua fase inicial, o câncer de próstata costuma ser tratado com a prostatectomia radical (retirada total da próstata). Ao longo dos anos este procedimento evoluiu bastante. Inicialmente, era realizado por meio de cirurgia aberta, depois por laparoscopia.

Hoje, a cirurgia robótica é uma moderna opção disseminada em vários países desenvolvidos e se configura numa tecnologia segura que facilita a tarefa cirúrgica de preservação de delicadas estruturas anatômicas responsáveis pela continência urinária e funções sexuais, com menor trauma cirúrgico.

Além disso, propicia aos pacientes menos sangramento e transfusões, alta hospitalar precoce e rápido retorno para suas atividades habituais. Além desta aplicação, o uso de robôs também é utilizado para retirada de tumores nos rins, bexiga, adrenal e metástases de tumores testiculares.