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Fizemos a primeira transposição uterina para câncer de colo do útero no mundo
Fizemos a primeira transposição uterina para câncer de colo do útero no mundo

O trabalho é importantíssimo pelo ineditismo e a contribuição para a qualidade de vida de pacientes

“A capacidade criativa de cirurgiões, a fusão de novas ideias e as novas tecnologias fazem com que a medicina possa ir além fronteiras em busca das melhores escolhas terapêuticas para os pacientes” – assim diz a Dra. Marcela G. del Carmen, do Massachusetts General Hospital, Universidade de Harvard, comentando em artigo na importante revista Gynecologic Oncology as evoluções em cirurgias ginecológicas. Ela cita, entre as mais recentes inovações, a transposição uterina para câncer de colo do útero, a primeira feita no mundo. Onde foi feita? Aqui no A.C.Camargo, pelo Dr. Glauco Baiocchi Neto, Diretor do Departamento de Ginecologia Oncológica, e sua equipe.

“Foi o primeiro caso no mundo de uma paciente submetida a transposição uterina por câncer do colo do útero e por isso foi aceito para publicação em uma revista de alto impacto”, conta o Dr. Glauco. O caso clínico foi publicado no artigo Uterine transposition after radical trachelectomy, na Gynecologic Oncology. Ele descreve que a paciente fez uma traquelectomia radical (cirurgia em que são retirados o colo, a vagina, ligamentos do colo e gânglios da pelve) e o resultado da biópsia do colo do útero sugeriu que ela ainda tinha fatores de risco que necessitavam de radioterapia na pelve.

“A radioterapia no corpo do útero e ovários leva à esterilidade. Para preservar a fertilidade da paciente optamos pela transposição uterina”, diz o Dr. Glauco. Nessa técnica, o útero e os ovários são retirados da pelve e colocados na parede abdominal acima da cicatriz umbilical. Depois da radioterapia, a paciente é novamente operada para que o útero volte a ser posicionado na vagina. A transposição uterina foi criada pelo Dr. Reitan Ribeiro, do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, mas havia sido realizada apenas em paciente com câncer de reto que precisaria fazer radioterapia. O Dr. Glauco utilizou a mesma técnica, pela primeira vez, para uma paciente com câncer de colo do útero.