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AACR: O congresso anual da American Association for Cancer Research, que aconteceu em Chicago de 14 a 18 de maio, apresentou o que há de inovações em pesquisa do câncer
AACR: O congresso anual da American Association for Cancer Research, que aconteceu em Chicago de 14 a 18 de maio, apresentou o que há de inovações em pesquisa do câncer


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AACR: O congresso anual da American Association for Cancer Research, que aconteceu em Chicago de 14 a 18 de maio, apresentou o que há de inovações em pesquisa do câncer

Nossos especialistas estiveram por lá e contam aqui as novidades em pesquisa do câncer que possam ser aplicadas no diagnóstico e tratamento dos pacientes. Novas tecnologias, ênfase na imunoterapia, união da engenharia e da física com a medicina, bancos de dados extremamente complexos: tudo aponta para tratamentos cada vez mais individualizados nos próximos anos. Vejam os destaques:

Nossos pesquisadores marcam presença no encontro anual da American Association for Cancer Research (AACR.

Fatores que impactam na qualidade de vida dos sobreviventes de câncer: uma sessão apresentada pela Dra. Anna Barker apontou a importância do acompanhamento desses pacientes pós-tratamento com relação ao manejo de sintomas físicos como fadiga, dor, neuropatia, incontinência e mudanças na visão, audição, cognição e mobilidade. "Foi mostrado um estudo que revela uma maior sobrevida de pacientes tratadas por tumores de mama que praticam exercício físico comparadas as que não o fazem", conta a Dra. Vilma Martins, nossa Superintendente de Pesquisa.

 A complexidade cada vez maior dos estudos científicos torna a linguagem de comunicação com os pacientes um grande desafio.  Um trabalho destacou que os pacientes entendem com maior facilidade o que são os estudos clínicos e o biobanco, mas têm grande dificuldade de entender o que significa genômica e as terapias alvo.

Novas abordagens em imunoterapia para tratamento de câncer de pulmão de células não pequenas avançado: Até recentemente, a imunoterapia nesses casos era utilizada como segunda opção de tratamento, depois que os pacientes passassem por quimioterapia. Ou então como primeira opção nos casos em que os tumores apresentassem alta expressão de uma proteína chamada PD-L1. O Dr. Vladmir Cordeiro de Lima, nosso Oncologista Clínico, nos conta sobre três estudos que estabelecem um novo paradigma de tratamento câncer de pulmão de células não pequenas avançado.  "Os estudos ampliam a indicação de imunoterapia no tratamento de primeira linha para o câncer de pulmão de células não pequenas metastático, independentemente da expressão de PD-L1 nos tumores", diz ele. 

Abordagem multidisciplinar com médicos de diversas especialidades para tratamentos mais individualizados: foi apresentado o trabalho de um Tumor Board (painel de discussões de casos complexos, que temos também aqui no A.C.Camargo Cancer Center) que traz as especialidades diretamente envolvidas com um tumor específico (ex. mama ou ovário) junto com todas as especialidades médicas do serviço (patologistas, clínicos, cirurgiões, geneticistas), além de farmacêuticos e profissionais da área básica/translacional.

Nesse Tumor Board, há um painel de genes feito com a tecnologia de sequenciamento de nova geração, para a identificação de alterações genéticas não só no tumor, como também hereditárias. "Os resultados dessa análise combinada tem possibilitado uma maior precisão no diagnóstico, na proposição de uma terapêutica personalizada, além do aconselhamento genético dos pacientes com alterações hereditárias e seus familiares. Eles reforçam a importância da atuação multidisciplinar", explica o Dr. Diogo Soares, da Oncogenética.

Mariano Barbacid, pesquisador da Espanha, apresentou resultados de sua pesquisa, demonstrando que é possível diminuir o crescimento de tumores, utilizando drogas inibidorasdas ações promovidas pelo gene K-RAS (gene alterado em um grande número de tumores humanos, incluindo os tumores de pulmão e de pâncreas). "Apesar dos resultados serem experimentais - obtidos em modelos animais - o potencial é enorme, permitindo o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas no futuro. está alterado em um grande número de tumores humanos, incluindo os tumores de pulmão e de pâncreas", explica nossa cientista Dra. Claudia Malheiros Coutinho Camillo.

Os microorganismos que habitam nosso corpo atuam diretamente na resposta ao tratamento do câncer e seus efeitos colaterais: Um estudo que acaba de ser publicado aponta que o transplante com bactérias do intestino (transplante fecal) de um doador repõe a diversidade da microbiota e mostra um grande potencial de aumentar a taxa de sucesso deste tipo de tratamento. Outro estudo destacou ainda como o uso de probióticos pode influenciar na reconstituição do microbioma dos pacientes, de forma a melhorar a resposta ao tratamento e também a diminuição dos seus efeitos colaterais. 

Aqui no A.C.Camargo Cancer Center o grupo do cientista Dr. Emmanuel Dias Neto estuda o papel do microbioma no câncer. "Os resultados apontam, por exemplo, que o uso de cigarro e álcool pode afetar drasticamente a composição da microbiota oral em pacientes com tumores de boca. Estudos estão em andamento para entender como isso pode influenciar e aumentar o risco de desenvolvimento desses tumores além da resposta ao tratamento", diz a Dra. Vilma Martins, nossa Superintendente de Pesquisa.

Câncer de mama hereditário em homens e os mecanismos genéticos: 1% de todos os casos de câncer de mama são masculinos, com forte componente hereditário.  De 10 a 15% dos casos são hereditários. Estudo realizado na Itália avaliou 502 homens com câncer de mama previamente investigados para mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 (principais genes relacionados com o risco aumentado para o desenvolvimento de câncer de mama). Os pacientes apresentavam história pessoal de outros tumores, além de terem história familiar de câncer, quando comparados com aqueles sem mutações identificadas. Os resultados reforçam a importância do aconselhamento genético para os homens com câncer de mama.

Descobertas fundamentais relacionadas aos tumores renais: Foi apresentado o projeto TRACERx Renal, um consórcio que tem o objetivo de conhecer a diversidade de alterações moleculares que determinam o estágio do câncer, seu desfecho e resposta a tratamento. No projeto, foi avaliado o uso de DNA tumoral circulante no sangue e urina dos pacientes como biomarcador para acompanhar a resposta ao tratamento. Além disso, estão sendo estudadas alterações genômicas que podem levar a destruição das células tumorais pelo sistema imune do paciente, o que tem impacto na resposta à imunoterapia. Importante para conhecer a progressão das doenças e para propostas de terapias cada vez mais direcionadas aos pacientes portadores destes tumores.

Pesquisadores europeus mostram que é possível realizar análises do plasma de pacientes na plataforma Ydilla de forma rápida e não invasiva: Dados de um estudo europeu mostraram que é possível realizar análises nessa plataforma utilizando o plasma dos pacientes com carcinomas colorretais metastáticos em substituição ao tecido tumoral. Nesses casos, os resultados foram obtidos em até 2 horas utilizando-se apenas 2ml de sangue dos pacientes. Uma forma não invasiva e rápida, com mais vantagens e benefícios para o tratamento dos pacientes com carcinomas colorretais metastáticos. Nós temos essa plataforma Ydilla aqui no A.C.Camargo Cancer Center, usada para análises de mutações dos genes.